Sociedade | 05-06-2026 15:00

Mais de 90% do lixo urbano ainda acaba em aterro em vários concelhos da região

lixo natal
foto ilustrativa

Alpiarça, Salvaterra de Magos e Rio Maior estão entre os concelhos com pior desempenho na recolha selectiva. Os dados da Pordata mostram uma realidade preocupante: apesar das metas ambientais e do discurso da reciclagem, a esmagadora maioria dos resíduos urbanos continua a seguir indiferenciada para aterro.

Grande parte dos municípios da região continua a encaminhar a maioria dos resíduos urbanos para aterro, revelando dificuldades persistentes na separação selectiva e na valorização dos resíduos. De acordo com dados da Pordata, há concelhos onde mais de 90% do lixo urbano recolhido continua a seguir indiferenciado, sem passar por circuitos de reciclagem ou valorização. Alpiarça apresenta o pior desempenho entre os municípios analisados, com apenas 7,7% de recolha selectiva. Isto significa que 92,3% dos resíduos urbanos continuam a ser recolhidos de forma indiferenciada e encaminhados para aterro. Salvaterra de Magos surge numa situação semelhante, com 9,3% de recolha selectiva, seguindo-se Rio Maior, com 10%.
Benavente e Cartaxo apresentam valores intermédios, ainda assim modestos, situando-se acima dos 12% de recolha selectiva. Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Alenquer ficam abaixo dos 15%, enquanto Tomar, Vila Franca de Xira e Alcanena registam, respectivamente, 16,2%, 16,3% e 17,6%. No que respeita à produção diária de resíduos por habitante, a Golegã apresenta o valor mais elevado, com 1,7 quilos por pessoa/dia. Segue-se a Chamusca, com 1,6 quilos por habitante. No extremo oposto estão Alcanena, Alenquer, Entroncamento, Ourém e Vila Franca de Xira, todos com uma produção diária de 1,1 quilos por habitante.
Os números mostram que, nos concelhos onde a separação de resíduos é mais reduzida, o volume encaminhado para aterro continua a ser muito elevado. Pelo contrário, os municípios com melhores taxas de recolha selectiva tendem a apresentar uma maior percentagem de resíduos valorizados, seja através de processos multimateriais, orgânicos ou energéticos. Apesar das metas europeias e nacionais para aumentar a reciclagem e reduzir a dependência dos aterros, os dados evidenciam que muitos municípios continuam longe dos objectivos definidos. A deposição indiferenciada mantém-se como solução dominante, expondo atrasos estruturais na gestão dos resíduos, falhas na sensibilização da população e dificuldades na criação de sistemas eficazes de recolha e valorização.

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