Dois anos para uma inspecção: utentes e empresas desesperam com falta de capacidade do IMT em Santarém
Particulares e empresas da região de Santarém acumulam meses e até anos de espera por inspecções extraordinárias do Instituto da Mobilidade e dos Transportes. Há casos de inspecções para legalização de motos restauradas que levam mais de dois anos. O instituto admite os atrasos e aponta a falta de recursos humanos como principal causa.
Há proprietários de motos que esperam mais de dois anos por uma inspecção extraordinária do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) em Santarém, situação que também afecta empresas da região, como a Toniauto, de Almeirim, que chega a aguardar meio ano para ver reboques aprovados. Várias pessoas têm contactado O MIRANTE a relatar atrasos prolongados na realização de inspecções extraordinárias de veículos na área de Santarém. Dois proprietários de motociclos afirmam estar à espera há mais de dois anos para conseguir legalizar motos recuperadas para uso próprio. Num dos casos, o requerente aguardava há dois anos e meio e só conseguiu realizar a inspecção na quinta-feira, 28 de Maio.
A situação é ainda mais penalizadora para empresas que dependem destas verificações técnicas para poderem comercializar os seus produtos. A Toniauto, empresa de Almeirim que fabrica reboques, chega a esperar meses — e por vezes mais de meio ano — pela deslocação de técnicos do IMT para validar os reboques produzidos nas suas oficinas. A demora compromete prazos de entrega, coloca pressão financeira sobre a empresa e obriga a recorrer à venda de reboques importados, que chegam ao mercado já homologados. Ainda assim, a empresa insiste em manter a produção própria para preservar postos de trabalho, apesar dos prejuízos e da insatisfação dos clientes.
As inspecções extraordinárias são verificações técnicas realizadas pelo IMT, por técnicos próprios do instituto fora do ciclo normal de inspecções periódicas obrigatórias. Servem para confirmar a identidade, as características e as condições de segurança de veículos que foram recuperados ou restaurados, sofreram alterações estruturais, não possuem documentação completa ou necessitam de validação técnica antes de serem registados ou postos a circular. Sem esta inspecção, o veículo não pode ser matriculado, vendido ou utilizado legalmente.
IMT reconhece problemas com falta de meios
Questionado por O MIRANTE, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes reconhece a existência de atrasos na região de Santarém, justificando-os com falta de recursos humanos. O organismo afirma estar a desenvolver “esforços de melhoria”, incluindo soluções tecnológicas que permitam aos utilizadores acompanharem o estado dos processos. O IMT sublinha que a complexidade das suas atribuições torna o contexto “exigente”, mas garante manter o compromisso com a segurança rodoviária e com a prestação de um serviço público rigoroso.


