Alcoólicos Anónimos do Cartaxo lembram que pedir ajuda pode salvar vidas
Sessão na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita juntou cerca de 25 participantes, entre profissionais das forças de segurança, saúde e acção social, para discutir o alcoolismo como doença e reforçar a importância dos grupos de auto-ajuda.
A Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita, no Cartaxo, recebeu na tarde de segunda-feira, 1 de Junho, uma sessão de esclarecimento promovida pelos Alcoólicos Anónimos, integrada na Semana da Saúde. A iniciativa dirigiu-se a profissionais das áreas da saúde, segurança, justiça, acção social e comunicação social, mas também a todos os que, directa ou indirectamente, contactam com a problemática do alcoolismo. A sessão foi aberta pela vereadora Maria de Fátima Vinagre, que sublinhou o carácter enriquecedor e anónimo das reuniões da associação. Seguiu-se a projecção de um vídeo sobre o alcoolismo, com dados sobre a prevalência da doença e situações de risco, que serviu de enquadramento ao debate.
O programa incluiu ainda a partilha de testemunhos de dois membros em recuperação, a intervenção da médica Paula Lucena, especialista na área das dependências com 36 anos de experiência, e um momento de perguntas e reflexão. Os dois membros dos Alcoólicos Anónimos descreveram percursos marcados pela progressão gradual do consumo, pelo isolamento e pela dificuldade em reconhecer a dependência. Ambos destacaram que o contacto com as reuniões da associação, e sobretudo a possibilidade de ouvir histórias semelhantes contadas por quem já tinha passado pelo mesmo, foi determinante para manterem a sobriedade.
Paula Lucena caracterizou o alcoolismo como uma doença crónica, primária e potencialmente fatal, alertando para os riscos do consumo precoce. A especialista sublinhou que o fígado de um jovem não está preparado para metabolizar o álcool sem risco de danos graves e defendeu que os processos de recuperação apresentam melhores resultados quando acompanhados por grupos de auto-ajuda. “É um desperdício os técnicos de saúde não utilizarem um recurso que a comunidade tem ali à porta de casa”, afirmou Paula Lucena, defendendo uma maior articulação entre os profissionais de saúde e as respostas existentes no território.
Em Portugal existem actualmente 97 grupos de Alcoólicos Anónimos, com reuniões em várias línguas. No Cartaxo, a associação mantém uma reunião regular, aberta a quem procura apoio para enfrentar a dependência alcoólica.


