Sociedade | 08-06-2026 15:00

Alcoólicos Anónimos do Cartaxo lembram que pedir ajuda pode salvar vidas

Alcoólicos Anónimos do Cartaxo lembram que pedir ajuda pode salvar vidas

Sessão na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita juntou cerca de 25 participantes, entre profissionais das forças de segurança, saúde e acção social, para discutir o alcoolismo como doença e reforçar a importância dos grupos de auto-ajuda.

A Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita, no Cartaxo, recebeu na tarde de segunda-feira, 1 de Junho, uma sessão de esclarecimento promovida pelos Alcoólicos Anónimos, integrada na Semana da Saúde. A iniciativa dirigiu-se a profissionais das áreas da saúde, segurança, justiça, acção social e comunicação social, mas também a todos os que, directa ou indirectamente, contactam com a problemática do alcoolismo. A sessão foi aberta pela vereadora Maria de Fátima Vinagre, que sublinhou o carácter enriquecedor e anónimo das reuniões da associação. Seguiu-se a projecção de um vídeo sobre o alcoolismo, com dados sobre a prevalência da doença e situações de risco, que serviu de enquadramento ao debate.
O programa incluiu ainda a partilha de testemunhos de dois membros em recuperação, a intervenção da médica Paula Lucena, especialista na área das dependências com 36 anos de experiência, e um momento de perguntas e reflexão. Os dois membros dos Alcoólicos Anónimos descreveram percursos marcados pela progressão gradual do consumo, pelo isolamento e pela dificuldade em reconhecer a dependência. Ambos destacaram que o contacto com as reuniões da associação, e sobretudo a possibilidade de ouvir histórias semelhantes contadas por quem já tinha passado pelo mesmo, foi determinante para manterem a sobriedade.
Paula Lucena caracterizou o alcoolismo como uma doença crónica, primária e potencialmente fatal, alertando para os riscos do consumo precoce. A especialista sublinhou que o fígado de um jovem não está preparado para metabolizar o álcool sem risco de danos graves e defendeu que os processos de recuperação apresentam melhores resultados quando acompanhados por grupos de auto-ajuda. “É um desperdício os técnicos de saúde não utilizarem um recurso que a comunidade tem ali à porta de casa”, afirmou Paula Lucena, defendendo uma maior articulação entre os profissionais de saúde e as respostas existentes no território.
Em Portugal existem actualmente 97 grupos de Alcoólicos Anónimos, com reuniões em várias línguas. No Cartaxo, a associação mantém uma reunião regular, aberta a quem procura apoio para enfrentar a dependência alcoólica.

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