Inspectores da Polícia Judiciária realizam buscas no União Desportiva Vilafranquense
Além da investigação do Ministério Público às contas da comissão administrativa a nova direcção apresentou uma queixa-crime com mais de dez páginas sobre as contas dos anteriores dirigentes.
Os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) estiveram em Março nas instalações da União Desportiva Vilafranquense (UDV) a realizar diligências no âmbito do inquérito aberto no último verão pelo Ministério Público, na sequência de várias denúncias de utilizadores da marina que se queixaram de pagar as quotas para uma conta em nome do anterior presidente da comissão administrativa e de receberem “rifas” como comprovativos de pagamento.
Na mira das autoridades, como já foi noticiado anteriormente, está a forma como a anterior comissão administrativa, liderada por Márcio Oliveira, terá gerido os pagamentos e as responsabilidades ao fisco. A PJ esteve agora no clube e levou computadores e documentação, acto que contou com o apoio da nova direcção do clube, liderada por Luís Ferreira Luz. A nova direcção, e as autoridades policiais, querem perceber o rasto do dinheiro dos pagamentos da marina e, já se sabe, a nova direcção também diz ter encontrado situações passíveis de gerar dúvidas e apresentou uma queixa-crime de dez páginas contra a comissão administrativa anterior. Em causa estarão desconformidades envolvendo a gestão dos dinheiros do clube, da marina e do estacionamento, no tempo da liderança de Márcio Oliveira. O novo presidente da UDV já veio dizer que a marina deverá gerar uma receita de cerca de 100 mil euros por ano mas que da contabilidade do clube só constarão pouco mais de 30 mil euros anuais.
Quando O MIRANTE escreveu sobre o assunto, no ano passado, contactou directamente Márcio Oliveira mas não obteve resposta. Na altura o clube optou por responder por e-mail, considerando as insinuações infundadas e ameaçando com processos na justiça quem dirigisse suspeitas infundadas a Márcio Oliveira. O clube explicara na altura que atravessou “sérias dificuldades financeiras” nos últimos anos, nomeadamente dívidas e execuções de avultado valor a várias entidades, entre elas a Autoridade Tributária e a Segurança Social. “Foi precisamente em virtude da situação financeira do clube, conhecida pela comunidade, que há vários anos a esta parte o UDV está impossibilitado de movimentar as contas bancárias e, consequentemente, impossibilitado de manutenção e execução das contas e despesas do clube, em virtude de penhoras existentes”. Por esse motivo, acrescentava, foi decidido abrir uma conta bancária em nome do presidente da comissão administrativa, Márcio Oliveira, para ultrapassar essa impossibilidade e o clube poder continuar a funcionar.
“Apesar da referida conta ter sido aberta com o nome do Márcio Oliveira, todos os movimentos são, desde sempre, efectuados pelo clube nas pessoas responsáveis e com poderes para tal, sendo que todos os movimentos se encontram registados e são totalmente transparentes”, assegurava, dizendo também que a conta “não é utilizada pelo Márcio para os seus movimentos pessoais” mas sim apenas para o clube e na prossecução dos seus fins e da sua actividade.


