Sociedade | 09-06-2026 11:39
Contestação à unidade de biometano em Árgea junta 150 pessoas e avança para abaixo-assinado
foto ilustrativa
Combate não é apenas contra a localização em Árgea, mas contra a instalação deste tipo de unidade junto de zonas habitacionais ou com actividade humana no Médio Tejo. Empresa promotora esteve presente com três elementos para ouvir a população.
Cerca de 150 pessoas participaram na reunião pública realizada em Árgea contra a instalação de uma unidade de produção de biometano, prevista para uma área de aproximadamente 4,8 hectares, naquela aldeia do concelho de Torres Novas. O encontro, promovido por comissões de utentes, juntou moradores de Árgea e localidades vizinhas, mas também do Entroncamento e Vila Nova da Barquinha.
Para o porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), Manuel Soares, a contestação não deve ser reduzida à ideia de que “não se quer uma unidade de biometano em Árgea”. A posição assumida pelas populações na reunião, disse a O MIRANTE, é mais ampla e estende-se à região do Médio Tejo. “Não se aceita que uma unidade industrial daquele tipo, que leva a que centenas de toneladas por dia de detrito, seja instalada junto de zonas habitacionais”, defende.
Entre as preocupações apontadas estão o impacto na rede viária, os riscos para a saúde das pessoas, a perda de qualidade de vida, a desvalorização do património familiar, pessoal e empresarial, o consumo de água e eventuais contaminações atmosféricas e das linhas de água. Manuel Soares recorda que o projecto prevê a chegada diária de cerca de 270 toneladas de estrume, chorume, animais mortos, gorduras e outros subprodutos, o que significa dezenas de camiões a circular em “estradas estreitas e sem condições”.
Da reunião saiu a decisão de lançar um abaixo-assinado junto das populações directamente afectadas. O documento afirma que os subscritores, moradores ou pessoas com actividade em Árgea e na região do Médio Tejo, não são contra a procura de fontes alternativas de energia, incluindo unidades de produção de biometano. O que recusam é que estas sejam instaladas junto de zonas habitacionais ou de locais onde existam actividades humanas.
O abaixo-assinado sublinha que as populações “merecem viver em ambientes saudáveis” e aponta como zonas mais afectadas as freguesias a nascente do concelho de Torres Novas e os concelhos limítrofes do Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Tomar. Manuel Soares rejeita também a ideia de que a solução passe simplesmente por deslocar a unidade para uma zona industrial. “Há zonas industriais onde vivem e trabalham todos os dias mais pessoas do que aquelas que residem em Árgea”, afirma, lembrando que a aldeia não chega aos 400 habitantes. Para a Comissão de Utentes, o problema está na proximidade a pessoas e comunidades, independentemente de se tratar de zona habitacional, industrial ou de outro tipo de ocupação humana.
Manuel Soares acrescentou que a reunião, que começou por volta das 21h00 e terminou perto da meia-noite, decorreu de forma “muito cordata” e com espaço para intervenções. E, apesar de a organização ter recusado transformar a reunião numa sessão de apresentação da empresa promotora, Manuel Soares confirmou que a Gás da Terra esteve presente com três elementos. “Estiveram para ouvir”, afirmou, sublinhando que a CUSMT está disponível para ouvir argumentos, mas mantém a posição de oposição à localização prevista.
Questionado sobre se ainda acredita ser possível travar o projecto, Manuel Soares disse a O MIRANTE, não ter “dúvidas nenhumas disso”. A estratégia, defendeu, passa agora por informar, comunicar e mobilizar as populações, mas também por convencer os autarcas locais e regionais a assumirem uma posição clara de recusa. “Não vale tudo no negócio, nem vale tudo na procura de energias alternativas”, vincou.
Câmara do Entroncamento junta-se à contestação
O executivo da Câmara do Entroncamento manifestou, na reunião de 2 de Junho, preocupação com a proximidade da infraestrutura ao concelho e garantiu que é contra este projecto, que considera prejudicial para a qualidade de vida da população em redor. O vereador Rui Madeira (PSD) alertou para a proximidade da futura infraestrutura ao território do Entroncamento, defendendo que os impactos não se limitarão às populações da União de Freguesias de Olaia e Paço. O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, revelou ter contactado de imediato o presidente do município de Torres Novas para abordar a instalação da unidade e disse ter solicitado que o tema fosse discutido também na reunião da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
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