Ministro admite que apoio à agricultura é insuficiente para mitigar subida dos custos de produção
Na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, o ministro da Agricultura reconheceu a pressão dos agricultores por maior rapidez na execução, admitindo que há muita burocracia, embora tenha garantido que o Governo tem vindo a simplificar procedimentos administrativos.
O ministro da Agricultura admitiu, na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, que o apoio de 20 milhões de euros anunciado pelo Governo para mitigar o aumento dos custos de produção no sector “é insuficiente”, defendendo uma resposta europeia para evitar distorções no mercado. “Não considero que seja suficiente”, afirmou José Manuel Fernandes, em declarações aos jornalistas, durante a inauguração do certame, a 6 de Junho,, sublinhando que o país aguarda ainda financiamento adicional da União Europeia, cujo montante não está definido.
O apoio de 20 milhões de euros foi anunciado pelo Governo para mitigar o impacto do aumento dos custos de produção no sector agrícola, associados sobretudo à energia e aos fertilizantes, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e no médio oriente e pela volatilidade dos mercados internacionais. O governante defendeu que a resposta aos custos com fertilizantes, energia e outros fatores de produção deve ser coordenada a nível europeu, alertando para o risco de concorrência desleal caso cada Estado-membro avance individualmente com apoios. “Num mercado sem fronteiras, é importante que existam soluções europeias. Se os países mais ricos apoiam mais os seus agricultores, os mais pobres não conseguem acompanhar”, afirmou.
Agricultores são pacientes mas Governo tem que acelerar processos
Sobre os apoios ao sector, José Manuel Fernandes reconheceu a pressão dos agricultores por maior rapidez na execução, admitindo que “há muita burocracia”, embora tenha garantido que o Governo tem vindo a simplificar procedimentos administrativos. Os agricultores “são muito pacientes”, afirmou, acrescentando que “o executivo tem de acelerar ainda mais” os processos. O ministro deu como exemplo a reconstrução de infraestruturas no vale do Mondego, após as intempéries, que disse ter sido concluída antes da campanha agrícola, evitando prejuízos para os produtores.
Na intervenção dirigida ao público, o ministro da Agricultura afirmou que o Governo aumentou em 50% o apoio ao rendimento base dos agricultores e reforçou em 660 milhões de euros o envelope financeiro do sector, sublinhando, contudo, a necessidade de acelerar investimentos, nomeadamente na área da água. José Manuel Fernandes destacou que, em 2025, foram pagos mais de 1.200 milhões de euros no âmbito do primeiro pilar da Política Agrícola Comum, a que se somam cerca de mil milhões de euros em investimentos do Plano Estratégico da PAC (PEPAC).
O governante referiu ainda que o Banco Português de Fomento tem aprovados mais de 1.100 milhões de euros para projectos ligados à agroindústria e cadeias de valor, defendendo que “estão a chegar recursos importantes” ao sector. No que respeita à gestão da água, José Manuel Fernandes indicou que estão em curso mais de 500 milhões de euros em investimentos associados ao programa “Água que Une”, admitindo, porém, a necessidade de acelerar a execução.
O ministro sublinhou ainda o papel estratégico da agricultura para a coesão territorial e segurança alimentar, salientando que Portugal apresenta um grau de autoaprovisionamento de cerca de 86% e que foi recentemente considerado o sistema alimentar “mais resiliente do mundo”. O governante apontou também a escassez de mão de obra como um dos principais desafios, anunciando que o Governo está a preparar legislação para facilitar a instalação de trabalhadores agrícolas, nomeadamente através de soluções de habitação associadas às explorações.


