Sociedade | 11-06-2026 09:59

Crianças levam teatro à Assembleia Municipal de Ourém e lembram que o futuro também se constrói com cultura

Crianças levam teatro à Assembleia Municipal de Ourém e lembram que o futuro também se constrói com cultura

Sessão de 29 de Maio abriu com uma apresentação do Prefácio — Laboratório de Experimentação Teatral Infantil. A peça O Captain! My Captain! mereceu elogios dos eleitos e acabou por abrir espaço a uma reflexão sobre cidadania, participação e pobreza infantil.

A Assembleia Municipal de Ourém começou, a 29 de Maio, de forma pouco habitual: em vez da discussão política, a sessão abriu com teatro, protagonizado por crianças do Prefácio — Laboratório de Experimentação Teatral Infantil. Sob a coordenação do encenador Eduardo Dias, os jovens participantes apresentaram a peça O Captain! My Captain!, levando à sala da assembleia um momento artístico que foi recebido com rasgados elogios pelos membros daquele órgão autárquico. A apresentação correspondeu à segunda actuação pública da temporada do projecto, que reúne semanalmente, às quartas-feiras, cerca de 60 crianças e jovens no Teatro Municipal de Ourém. No final, Eduardo Dias agradeceu o espaço concedido e sublinhou o simbolismo de colocar crianças num lugar onde se discutem decisões que vão marcar o futuro do concelho.
O presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, destacou a evolução do projecto, recordando que, há cerca de quatro anos, quando arrancou, nem sempre foi fácil mobilizar participantes. Hoje, o Prefácio tem dezenas de jovens envolvidos e prepara já uma tournée nacional com os grupos de crianças e jovens. Luís Miguel Albuquerque considerou ainda que a apresentação na assembleia permitiu dar maior visibilidade a um projecto que, apesar da qualidade reconhecida por quem o acompanha de perto, continua a ser desconhecido para grande parte da população.
O momento cultural teve também uma leitura política e social. O deputado municipal Nuno Batista, do PS, felicitou as crianças e o encenador, mas aproveitou a referência ao título da peça, associado ao filme O Clube dos Poetas Mortos, para trazer à sessão dados sobre a infância em Portugal. Citando um estudo da Universidade Nova SBE, referiu que 301 mil menores vivem abaixo do limiar da pobreza e que 15 por cento das famílias pobres não conseguem alimentar devidamente os filhos. Sublinhou ainda que, sem prestações sociais do Estado, cerca de meio milhão de crianças estaria em situação de pobreza. “Acho que o município, a assembleia, todos nós temos a obrigação social de nos empenharmos no futuro destas crianças”, afirmou Nuno Batista.

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