Manuel Mourato: “as autarquias locais vivem de pessoas e não de partidos políticos”
O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha quer um concelho que continue a primar pela qualidade de vida e pela oferta cultural diferenciada, de portas fechadas a indústrias poluentes, à construção desenfreada e a açudes no Tejo. Manuel Mourato, que foi militar da Força Aérea e perito forense na Polícia Judiciária, diz que entrou na vida autárquica também para ajudar a contrariar a imagem negativa que muita gente tem dos políticos.
Manuel Mourato, 57 anos, nasceu em Castelo de Vide, no Alto Alentejo, em 9 de Novembro de 1967. É casado, pai de três filhos, tendo o seu filho mais velho, então cadete da Escola Naval, falecido num acidente de viação na EN118, perto de Almeirim, em 2007.
Veio para o concelho de Vila Nova da Barquinha aos 17 anos para cumprir serviço militar na então Base Aérea 3, em Tancos. Foi militar da Força Aérea durante onze anos e saiu por iniciativa própria para ir para a Polícia Judiciária (PJ) como perito forense na área da contrafacção. Era especialista em análise de documentos e ali trabalhou durante quase trinta anos, tendo conciliado com as funções de professor universitário durante 15 anos. Possui um mestrado em Liderança de Organizações e uma licenciatura em Gestão Financeira. É autor de um livro e de vários artigos científicos. Durante a sua carreira na PJ chegou a ser presidente do Sindicato dos Peritos Forenses, que ajudou a criar.
No Ribatejo, inicialmente, teve residência no Entroncamento e fixou-se depois no concelho de Vila Nova da Barquinha, em 2002. Está ligado à Associação de Paralisia Cerebral de Vila Nova da Barquinha desde 2009, onde ainda é presidente da assembleia geral. Militante do Partido Socialista há cerca de uma década, de 2017 a 2025 integrou o executivo municipal de Vila Nova da Barquinha como vereador e vice-presidente na fase final do último mandato. Foi eleito presidente da câmara em Outubro de 2025. É também vogal do Conselho de Administração da empresa intermunicipal Tejo Ambiente.
Assume-se como um autarca de continuidade ou quer deixar a sua marca na Câmara de Vila Nova da Barquinha? As duas coisas. Quero ser um autarca de continuidade e deixar a minha marca em Vila Nova da Barquinha. Porque não há duas pessoas iguais e cada um tem o seu cunho. Entrei como presidente num momento político conturbado e, obviamente, o meu mandato não vai ser igual aos anteriores.
Conturbado em que sentido? Assistimos nos últimos tempos a um crescimento do partido Chega.
E o Chega tem-lhe dado muito trabalho? Quem está cá como eleito do Chega faz o seu papel, mas devia estar junto do executivo para construir e não para dizer mal só por dizer ou criticar só por criticar. Se calhar, deviam ter uma posição mais construtiva. Temos um acordo de governação com a vereadora que foi eleita pela AD, é um acordo feito com a pessoa e não com o partido. Até porque entendo que as autarquias locais vivem de pessoas e não de partidos.
Quais as diferenças mais marcantes em relação ao seu antecessor? Sou uma pessoa diferente. Tenho uma história de vida diferente, cheguei cá de forma diferente. Seguimos uma política de continuidade e os projectos que já cá estavam, mas, obviamente, também temos novos projectos e novas ideias.
Como tem sido a relação com os autarcas vizinhos? Temos tido uma relação excelente no Médio Tejo. Aliás, a nossa Comunidade Intermunicipal tem um enquadramento em que as pessoas, apesar de serem de partidos diferentes, revêem-se nas posições uns dos outros.


