Sociedade | 12-06-2026 12:00

Praia da Casa Branca em Azambuja há mais de uma década ao abandono

Praia da Casa Branca em Azambuja há mais de uma década ao abandono
Câmara de Azambuja admite recuperar e limpar mas sem compromisso firme de calendário - foto DR

Antiga praia fluvial nas margens do rio Tejo está há mais de uma década sem limpeza, infraestruturas de apoio, vigilância ou água certificada para banhos. Presidente da Câmara de Azambuja admite recuperação do espaço, mas afasta a possibilidade de voltar a ser praia fluvial.

A antiga praia fluvial da Casa Branca, também conhecida como praia dos tesos, em Azambuja, foi tema em reunião pública do executivo municipal, pela voz de um cidadão que pediu à autarquia que devolva alguma dignidade a um espaço que já foi ponto de encontro da população e que hoje é símbolo de abandono. António Pires aproveitou o período de intervenção do público para alertar para o estado degradante da zona ribeirinha, nas margens do rio Tejo, lembrando que o Verão está à porta e que o local continua sem condições mínimas de utilização. “Dado que estamos no início do Verão, pedia que fizessem os possíveis para que a praia da Casa Branca tivesse alguma dignidade. O que lá está não é nada. Não há limpeza, não há água. Não há nada”, afirmou o munícipe, defendendo que a Câmara de Azambuja tem condições para deixar o espaço “minimamente utilizável para as pessoas”.
A intervenção recupera uma reivindicação antiga da população que, em tempos, beneficiou de uma zona aprazível a banhos. Mas há mais de uma década que a antiga praia da Casa Branca se encontra sem concessão e sem qualquer estrutura de apoio. O espaço, que chegou a ter água potável, energia eléctrica, restaurante, bar e parque infantil, foi-se degradando progressivamente depois de a concessão não ter corrido como o município esperava. A ausência de vigilância, a distância em relação à vila e sucessivos actos de vandalismo contribuíram para acelerar o abandono. Os cabos eléctricos que serviam a zona acabaram mesmo por ser roubados.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), reconheceu o problema e admitiu que o espaço está nos planos do município, embora tenha deixado claro que não poderá voltar a funcionar como praia fluvial. “A Casa Branca teve o seu momento mais alto há uns anos, foi extremamente vandalizada e a câmara abandonou fazer lá qualquer tipo de investimento”, afirmou. O autarca acrescentou que a autarquia pretende avançar com uma recuperação, “não para praia, mas para uma zona de banhos”, porque, segundo explicou, a Agência Portuguesa do Ambiente não permite a classificação daquele espaço como praia. A distinção entre praia fluvial e zona de banhos é, neste caso, determinante: o espaço não tem qualidade da água certificada para banhos, não dispõe de vigilância nem de infraestruturas de apoio, o que impede qualquer utilização formal com essa classificação.
As críticas ao estado da antiga praia da Casa Branca têm-se repetido ao longo dos anos. No portal Aquapolis, dedicado às praias fluviais existentes em Portugal, o retrato é duro: uma zona com erva alta, lodo, postes de electricidade sem utilidade e um bar praticamente sem telhado. “Uma tristeza de degradação e uma zona com muito potencial que cada vez mais desaparece”, lê-se na descrição, onde se alerta também para o risco de, dentro de alguns anos, o acesso acabar por ficar bloqueado pela própria degradação da estrada.

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