Sociedade | 13-06-2026 07:00

Novo Hospital da Luz Ribatejo: um edifício modelado pela luz, por dentro e por fora

Novo Hospital da Luz Ribatejo: um edifício modelado pela luz, por dentro e por fora
- foto DR

O arquiteto que assina o projeto, José Soalheiro, abre a porta do novo Hospital e revela um pouco daquilo que os ribatejanos vão poder encontrar.

José Soalheiro é arquiteto e sócio da Opera / Design Matters, o atelier que assina o projeto de arquitetura do Hospital da Luz Ribatejo. Nesta entrevista, revela como foi conceber, criar e desenvolver no terreno o edifício deste novo Hospital da Luz, sabendo que estava a lidar com uma marca de características de imagem e com ambientes impactantes e exigentes, do ponto de vista clínico.
A experiência em projetos de saúde do seu atelier não tornou este projeto mais fácil. O principal desafio? “Domar o terreno.” E o que mais o atraiu? “A luz. Modelámos a forma deste hospital a partir da luz, tirando o máximo partido dela e levando-a ao interior, a cada espaço”.

Qual foi o principal desafio de conceção deste projeto?
Antes de mais, gostava de dizer que, tal como em todos os projetos e estudos que fizemos de unidades de saúde com dimensão, no Hospital da Luz Ribatejo contámos com a participação do Fernando Rodrigues, um premiado arquiteto, especialista em Healthcare design, radicado nos Estados Unidos, que tem feito hospitais pelo mundo inteiro e em Portugal foi o responsável pela segunda fase da conceção hospitalar do Champalimaud. No âmbito da parceria que mantemos com ele, a sua participação foi muito importante e recebida com grande expetativa e interesse pelos administradores e corpo técnico da Luz Saúde, permeáveis a novas ideias e filosofias de organização hospitalar.
Quanto ao desafio, foi sem dúvida o terreno. Aliás, já o conhecíamos de um estudo anterior. Tem uma inserção espetacular, ótimas acessibilidades e vistas deslumbrantes sobre a várzea do Tejo, mas é particularmente difícil para a inserção de um hospital, porque estreito (na parte onde se pode construir, visto que quase todo o resto está em REN). Foi necessário “domá-lo”, aproveitar a excelência da localização e encaixar todo o programa e o necessário sistema viário envolvente, ultrapassando as condicionantes da topografia.
A que principais critérios obedeceu a vossa ‘criatividade’ neste projeto? E onde se inspiraram?
A suposta criatividade dá muito trabalho… bem, como já referi, lidar com as características do terreno, mantendo uma lógica funcional otimizada foi um ponto de partida importante.
Por outro lado, temos a orientação, o sistema de vistas e, sobretudo a luz. Tirar o máximo partido dela, levá-la ao interior, a cada espaço. Modelar a forma com a luz.
É fundamental que um hospital tenha espaços agradáveis e transmita a ideia de conforto, mas… um hospital é, e deve ser, uma máquina! A saúde e vidas dos utentes dependem disso! Todos os circuitos devem ser claros, sempre que necessário independentes para utentes e profissionais, a organização cristalina e de fácil entendimento. A assepsia um mandamento! Cada segundo conta em saúde e os espaços devem ser organizados com essa preocupação em mente. Que obviamente se relaciona com a otimização dos recursos humanos disponíveis.
E, bem…, tudo isto há que estar lá, mas envolto numa linguagem harmónica e una.
Raramente, num edifício com programa complexo há lugar a um momento de inspiração inicial. É quase ao contrário: perante um “caos” diagramático, um conjunto de tensões técnicas, organizativas e orçamentais (claro!), é necessário encontrar a “pedra de fecho”, a “chave” que resolve o edifício e o torna uno, apreensível como um todo.
Um hospital privado. Uma marca como a do Hospital da Luz, com características de imagem e ambientes interiores/exteriores tão fortes. Um lugar para pessoas doentes que não cheire a hospital… Em algum momento este tipo de fatores constitui um constrangimento neste processo de criação/conceção?
Um hospital privado – Luz Saúde – uma marca. Identificada como qualidade.
Aparte o tal cheiro a hospital, que não se deseja, é fundamental que as pessoas reconheçam que estão num hospital, neste hospital! O maior conforto que se pode oferecer a alguém fragilizado pela doença é a segurança de que vai ser bem tratado, com a máxima qualidade e segurança. Obviamente, a Luz Saúde foi criando uma gramática visual reconhecível pelos materiais, cores e texturas utilizados – um código semiótico que é necessário observar. Mas, tal nunca constituiu um constrangimento. Até porque estamos a falar mais de uma filosofia – passível de interpretação – nunca nos foi dado a utilizar um cardápio de soluções pré-feitas.
Depois de conhecer a imagem arquitetónica do Hospital da Luz, o que acha mais atraente?
Curioso, vou referir uma vez mais a luz, tratando-se da Luz.
Estamos treinados para prever as situações, como vai ficar, o entendimento da forma – projeto é isso mesmo – mas a realidade consegue surpreender-nos ocasionalmente. Refiro-me ao sistema de vistas e enfiamentos perspéticos em todas as direções que se obtêm a partir do primeiro piso e penetram na consciência sensorial do hospital.
E pode dar-nos detalhes deste projeto de que se orgulhe especialmente?
Orgulho-me essencialmente do processo no seu todo. Depois de variadíssimos constrangimentos, alterações programáticas, revisões orçamentais, chegar a este ponto com uma peça una, consistente e forte, é – perdoe-se-nos a vaidade – um êxito.
Orgulho-me especialmente dos que contribuíram para a levar a bom porto. Sobretudo a dedicação absoluta. Toda a nossa equipa tem sido incansável em obra a resolver todos o tipo de problemas que vão inevitavelmente surgindo. E em fluida e interativa colaboração com os representantes da Luz Saúde, o corpo de técnicos da Teixeira Trigo, a equipa de fiscalização, e do empreiteiro, a Teixeira Duarte. Repito o termo fluido - sem sobressaltos ou discussões acesas – todos focados a atingir o melhor resultado. Não me canso de repetir: para que um projeto de arquitetura resulte bem, é importante que para além do projeto, o Dono de Obra, fiscalização e construtor acompanhe o mesmo esforço e desígnio.
Como está a assistir ao aparecimento ‘físico’ do novo Hospital da Luz Ribatejo? Imagino que deve ser emocionante…
Já fizemos muitos edifícios, pequenos e grandes. Mas é sempre emocionante ver um prestes a acabar. É físico, do domínio do sensorial emocional. A arquitetura só se realiza com a construção. Não há bons projetos em papel, apenas eventuais boas ideias desperdiçadas.
Não se imagina o número de projetos que fizemos até ao projeto de execução, alguns com a obra já adjudicada, outros até com esta já começada, que não se construíram. Muitos mais do que os realizados.
O que é que os nossos futuros clientes ribatejanos vão encontrar? Quer começar a abrir-lhes a porta?
Preferia reservar-lhes a surpresa. Posso apenas adiantar que… houve imenso esforço e dedicação de muita gente – centenas de pessoas - para proporcionar um edifício de qualidade com a tecnologia mais recente, o melhor ambiente e as melhores condições para disponibilizar serviços de saúde de excelência.

- foto DR

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