Sociedade | 13-06-2026 21:00

Problemas no Hospital Vila Franca de Xira levam câmara a defender regresso da gestão privada

Problemas no Hospital Vila Franca de Xira levam câmara a defender regresso da gestão privada
- foto arquivo O MIRANTE

Vila Franca de Xira está cansada de ver o seu hospital a definhar e aprovou um pacote de propostas da coligação Nova Geração (PSD/IL) que pedem mais e melhor saúde no concelho, incluindo a câmara entregar vales saúde para os utentes poderem escolher ser atendidos em unidades privadas do concelho.

O Hospital Vila Franca de Xira está longe de dar a resposta que a comunidade merece e precisa e por isso o município aprovou um pacote de propostas para reformular a resposta dos serviços de saúde no concelho. Apresentadas pela coligação Nova Geração (PSD/IL), no topo das propostas agora aprovadas está uma recomendação ao Governo para iniciar o procedimento de reinstalação de um modelo de parceria público-privada (PPP) no Hospital Vila Franca de Xira.
“O concelho revela fragilidades acumuladas, listas de espera grandes, muita gente sem médico de família e uma insuficiência de respostas adaptadas ao nosso território. O encerramento das urgências de ginecologia em VFX é um falhanço grave”, criticou David Pato Ferreira, da Nova Geração. Segundo o autarca, a queda contínua dos indicadores de desempenho do hospital e qualidade do atendimento dos utentes reflecte “erros de oito anos” de má gestão socialista.
Também o presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira (PS), considerou muito preocupante a falta de médicos de família no concelho, estimando que faltem actualmente meia centena destes profissionais para dar a resposta que a comunidade merece. “A confusão do dia a dia do hospital afasta muitos dos profissionais hoje em dia, que preferem trabalhar num ecossistema mais organizado. Isto pode levar a encerramentos de outros serviços que não apenas o das urgências obstétricas”, criticou.
O autarca continua a avisar que o plano final do Governo com o encerramento das urgências de obstetrícia é, no futuro, acabar por encerrar a maternidade. “Se olharmos para a saúde como folhas de Excel um dos pensadores desta solução vai ver que tem poucos partos no hospital e vai encerrar a maternidade”, avisa Fernando Paulo Ferreira.

Teleconsultas e vales de saúde municipais
Além da recomendação sobre o modelo de gestão hospitalar, foram aprovadas outras três propostas. O estudo para o reforço dos cuidados de saúde primários, através da iniciativa “Médico Mais Perto”, que prevê um serviço de teleconsulta gerido pelo município e articulação entre sectores público, privado e social para reduzir listas de espera, e um outro para que seja estudada a implementação de vales de saúde municipais, destinados a facilitar o acesso a consultas de psicologia e fisioterapia e a rastreios em clínicas privadas e IPSS, com prioridade para famílias vulneráveis ou numerosas.
Também foi aprovado um estudo para a criação de Unidades de Saúde Familiar de Tipo C em parceria com as IPSS e entidades locais, garantindo equipas permanentes em freguesias mais carenciadas. Todas as propostas aprovadas incluem um prazo de três meses para estudo, no qual o executivo de maioria socialista deverá apresentar análises técnicas e de viabilidade.

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