Teresa Pereira morreu no hospital onde trabalhou depois de esperar meia hora por socorro
Doente cardíaca de 73 anos morreu dez minutos depois de chegar ao Hospital de Santarém, onde trabalhou durante muitos anos e para onde foi transportada pela família após quatro chamadas para o 112. INEM diz que cumpriu protocolo e Ministério Público investiga.
Teresa Pereira, doente cardíaca, morreu aos 73 anos no Hospital Distrital de Santarém, para onde foi transportada por meios próprios após quatro chamadas para o número de emergência. Foi o filho, Miguel Pereira, que face à gravidade da situação e à demora na chegada do socorro decidiu metê-la no carro e transportá-la para a unidade hospitalar que ficava a um quilómetro do local de residência onde se encontravam, em São Domingos.
Segundo o filho, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) chegou à praceta onde residia a mulher já depois de esta ter dado entrada no hospital, e sem uma ambulância de apoio. Passaram, garantiu Miguel Pereira à SIC, “29 minutos” desde que ligou a primeira vez para o 112, porque a mãe estava com dificuldade em respirar.
“Aguardo, aguardo, e nada... A viatura não chegava. Volto novamente a ligar e digo: vou pegar na minha mãe e vou com ela directamente para o hospital, a viatura nunca mais chega”, conta o filho. Do outro lado conta que lhe foi dito e que está gravado: “pegue na sua mãe e vá para o hospital”.
O caso, que ocorreu ao início da noite de sábado, 30 de Maio, está a ser investigado pelo Ministério Público que instaurou a abertura de um inquérito, estando a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Santarém.
Contactado, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) garantiu que não houve falhas na resposta e que os protocolos foram cumpridos. O corpo de Teresa Pereira foi autopsiado para determinar as causas da morte e perceber se esta podia ter sido evitada, caso os meios de socorro tivessem sido céleres. As cerimónias fúnebres realizaram-se a 3 de Junho, na Igreja da Piedade, em Santarém, tendo o corpo seguido posteriormente para o cemitério da cidade.
Morte deixa misto de “saudade e profunda revolta”
Teresa Pereira é lembrada por muitos como uma “mulher extraordinária” e uma “mãe e avó muito querida” que dedicou a sua vida aos outros. A sua morte, que ocorreu no hospital onde trabalhou tantos anos, deixa uma “enorme saudade e uma profunda revolta”, escreveu o filho nas redes sociais.


