Sociedade | 14-06-2026 18:00

Grávida que vive sem água potável em casa pede ajuda à Câmara de Tomar

Grávida que vive sem água potável em casa pede ajuda à Câmara de Tomar

Liliana Sequeira, moradora em Santa Cita, na freguesia da Asseiceira, vive desde 2022 sem ligação à rede pública de abastecimento. O furo privado que utiliza está contaminado com bactérias fecais e coliformes.

Uma munícipe grávida de quatro meses levou à reunião da Câmara de Tomar, no dia 1 de Junho, um apelo: vive em casa sem água potável, abastecendo-se de um furo privado contaminado com bactérias fecais e coliformes. Liliana Sequeira, residente em Santa Cita, na freguesia da Asseiceira, diz que a situação se arrasta desde 2022 sem que tenha sido apresentada uma solução concreta pelo município ou pela empresa concessionária Tejo Ambiente. A munícipe explicou que vive junto a uma exploração agropecuária e que a água do furo que abastece a sua habitação foi considerada imprópria para consumo. A ligação à rede pública obrigaria a uma extensão de cerca de um quilómetro, com um custo estimado em cerca de 17 mil euros, valor que, segundo lhe foi transmitido, teria de ser suportado pela proprietária. Desde 2022 aguarda por um orçamento formal da Tejo Ambiente, que garante nunca ter recebido.
A situação ganhou maior gravidade com a gravidez. Liliana Sequeira explicou que não é imune à toxoplasmose, o que obriga a cuidados reforçados de higiene e segurança alimentar. “Estou de forma medieval a viver na minha própria casa”, afirmou, relatando que tem de ir buscar água em garrafões e que toma banho com alguidares de água aquecida. A munícipe disse ainda ter pedido à protecção civil a disponibilização de um depósito de água potável, mas o pedido foi recusado.
Na reunião, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, reconheceu a gravidade do caso, mas esclareceu que a responsabilidade pela ligação à rede pública cabe ao proprietário, competindo à Tejo Ambiente assegurar apenas os primeiros 50 metros a partir da conduta principal. Ainda assim, comprometeu-se a pedir à concessionária um orçamento concreto e a avaliar a possibilidade de disponibilizar uma cisterna de água potável de forma temporária. Liliana Sequeira lembrou que a sua habitação data de 1972 e que a exploração agropecuária vizinha se instalou em 1987, questionando a ausência de medidas de protecção dos residentes da zona. A moradora sublinhou ainda a contradição de viver numa freguesia onde se encontra uma das maiores estações de tratamento de água do país, responsável pelo abastecimento de milhões de pessoas na região de Lisboa, enquanto ela continua sem água potável em casa. “Para mim isto foi uma falta completa de ordenamento do território”, concluiu.

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