Sociedade | 14-06-2026 09:36
Quinta da Franca inaugura Estação de Biodiversidade em Alcanede
Fundada em 1604 pelo Prior Frei Lopo Vaz Folgado, figura lendária da história local, a Quinta da Franca integrou ao longo dos séculos o património de várias famílias. No dia 12 foi inaugurado na Quinta um espaço de ciência cidadã que promete fazer a diferença.
Maria e Luís Duarte Melo, em parceria com a ALTRI Florestal e a TAGIS – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, inauguraram a nova Estação de Biodiversidade da Quinta da Franca, um espaço de ciência cidadã, descoberta e valorização do património natural e histórico de Alcanede.
O percurso inaugural deste biospot foi no dia 12 de junho com a participação de professores e alunos do Agrupamento de Escolas D. Afonso Henriques, representantes da autarquia e da comunidade, orientada por Luís Melo (Quinta da Franca), Pedro Serafim (Altri Florestal) e Eva Monteiro (Tagis).
Integrada num projeto nacional de Estações de Biodiversidade, esta iniciativa privada tem três objetivos centrais: Promover a participação da comunidade na inventariação e monitorização da biodiversidade ao longo dos percursos pedestres; Estimular a conservação de habitats e espécies; Proporcionar um espaço de visitação e aprendizagem, onde natureza, história e paisagem se encontram num território com séculos de memória.
Integrada num projeto nacional de Estações de Biodiversidade, esta iniciativa privada tem três objetivos centrais: Promover a participação da comunidade na inventariação e monitorização da biodiversidade ao longo dos percursos pedestres; Estimular a conservação de habitats e espécies; Proporcionar um espaço de visitação e aprendizagem, onde natureza, história e paisagem se encontram num território com séculos de memória.
A Estação de Biodiversidade dispõe de um percurso pedestre interpretativo, marcado por painéis informativos que apresentam espécies comuns de flora e fauna, ilustradas com fotografias e descrições científicas acessíveis. Ao longo do caminho, os visitantes encontram também referências à história da propriedade, permitindo compreender a evolução da paisagem e das atividades agrícolas que moldaram a Quinta da Franca desde o século XVII.
Ao longo dos caminhos é possível observar uma grande diversidade de espécies; entre as borboletas destacam-se a Douradinha do arco, a Melanargia comum e a fídia, frequentes nos prados floridos. A vegetação herbácea é igualmente rica, com espécies como a Erva abelha, o Trevo dos prados, o Trovisco macho e a Chicória. Junto à água, a biodiversidade intensifica-se com libélulas e libelinhas. Nas inflorescências das umbelíferas podem ser encontrados vários insetos.
A Quinta da Franca alberga ainda duas espécies distintas de funcho, testemunhando a riqueza botânica do local.
Quinta da Franca — Breve História
Quinta da Franca — Breve História
Fundada em 1604 pelo Prior Frei Lopo Vaz Folgado, figura lendária da história local, a Quinta da Franca integrou ao longo dos séculos o património das famílias Cerqueira de Avelar e Froes de Lemos. Entre os seus proprietários destacou-se Simão Froes de Lemos (1675–1759) — erudito, militar e autor da Notícia Histórica e Topográfica da Vila de Alcanede (1726), obra pioneira que continua a marcar a memória regional.
Em 1752, Simão instituiu o Morgadio da Franca, descrevendo a propriedade como composta por casas nobres, lagar de azeite, azenha, terras de pão, vinha, olival e pomares. O vínculo seria administrado, ao longo do tempo, por membros das famílias Froes de Lemos, Vieira do Vadre, Pina Manique e Sousa e Alvim.
A quinta sofreu graves danos durante as Invasões Francesas de 1810, entrando num período de declínio. Na década de 1830, o domínio útil foi adquirido pelo Capitão José Manuel Duarte (1775–1850), figura de relevo na defesa militar e na vida política do concelho. Em 1878, a propriedade era descrita como “casas arruinadas, lagar de azeite, cerca murada, terra de semeadura, matos e algumas árvores de fruta”.
Em 1752, Simão instituiu o Morgadio da Franca, descrevendo a propriedade como composta por casas nobres, lagar de azeite, azenha, terras de pão, vinha, olival e pomares. O vínculo seria administrado, ao longo do tempo, por membros das famílias Froes de Lemos, Vieira do Vadre, Pina Manique e Sousa e Alvim.
A quinta sofreu graves danos durante as Invasões Francesas de 1810, entrando num período de declínio. Na década de 1830, o domínio útil foi adquirido pelo Capitão José Manuel Duarte (1775–1850), figura de relevo na defesa militar e na vida política do concelho. Em 1878, a propriedade era descrita como “casas arruinadas, lagar de azeite, cerca murada, terra de semeadura, matos e algumas árvores de fruta”.
O foro do antigo morgadio seria remido em 1936, e parte da propriedade alienada a José Rodrigues de Melo (1900–1979). A unidade histórica da quinta foi restaurada na década de 1970 por Maria Odete Duarte e Fernando Lopes de Melo, culminando na reconstrução da casa em 2004 por Maria e Luís Duarte Melo, preservando a memória de uma das mais antigas propriedades de
Alcanede.
Alcanede.
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