Vergonha e estigma afastam portugueses dos rastreios às IST
Quase metade dos portugueses não faz rastreios a infecções sexualmente transmissíveis, apesar de reconhecer a importância destes exames. Um estudo da GfK Metris e da Roche Portugal revela que o constrangimento, o estigma social e o medo da exposição continuam a ser as principais barreiras à prevenção.
Quase metade dos portugueses não faz rastreios a infecções sexualmente transmissíveis (IST), apesar de reconhecer a importância destes exames e saber que devem ser feitos regularmente, mesmo sem sintomas. A conclusão é do estudo “Percepção da população portuguesa sobre as infecções sexualmente transmissíveis”, desenvolvido pela GfK Metris em parceria com a Roche Portugal. Os dados mostram que o conhecimento sobre transmissão, prevenção e consequências de uma IST não tratada existe, mas não se traduz em adesão ao rastreio. A vergonha, o constrangimento e o estigma social continuam a ser as principais barreiras: 59% dos inquiridos admitem dificuldades. Para 30%, pesa ainda o receio de exposição perante familiares, amigos ou colegas.
Entre as IST mais conhecidas destacam-se o VIH, a sífilis e o herpes genital, enquanto a clamídia é menos identificada. As relações sexuais sem preservativo surgem como a via de transmissão mais reconhecida, juntamente com o contacto com sangue contaminado e a partilha de seringas. O estudo revela lacunas sobre sintomas menos evidentes e infecções assintomáticas. Embora a maioria saiba que o VIH pode ser controlado com tratamento, um em cada sete portugueses acredita, erradamente, que existe cura. Com uma amostra de mil residentes em Portugal Continental, o estudo reforça a necessidade de normalizar o rastreio, melhorar informação e combater o estigma.


