Cartaxo levou o exercício físico ao combate contra o cancro
Cartaxo levou o exercício físico ao combate contra o cancro Semana da Saúde e Bem-Estar juntou rastreios, actividades desportivas e um workshop no ginásio Hexos sobre a importância da actividade física antes, durante e após o tratamento oncológico.
A Semana da Saúde e Bem-Estar do Cartaxo levou a prevenção para a rua e o conhecimento para dentro do ginásio, com iniciativas que procuraram aproximar a população dos cuidados de saúde, da actividade física e de estilos de vida mais equilibrados. Entre rastreios, demonstrações desportivas e uma sessão dedicada ao papel do exercício físico no combate ao cancro, o município procurou passar uma mensagem clara: prevenir continua a ser uma das formas mais eficazes de proteger a saúde. Na manhã de 30 de Maio, a Praça 15 de Dezembro recebeu a Feira da Saúde e Bem-Estar, organizada pela Câmara Municipal do Cartaxo, com a presença de cerca de duas dezenas de entidades ligadas à saúde, ao desporto e à acção social. Houve rastreios à visão, à pressão arterial e à diabetes, demonstrações de boccia, karaté e zumba, além de bancas informativas de instituições e serviços que trabalham diariamente com a comunidade.
A vertente mais técnica da semana teve lugar na terça-feira, 2 de Junho, no ginásio Hexos, no Cartaxo, com um workshop sobre exercício físico e cancro. A sessão, organizada pelos instrutores Roman Cazan e Inês Morais, ambos com formação especializada em oncologia e actividade física, reuniu sete participantes, incluindo três representantes da câmara municipal. Inês Morais abriu a componente teórica com uma explicação sobre a doença oncológica, referida como a segunda causa de morte mais comum em Portugal, segundo dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro. A instrutora destacou os mecanismos biológicos através dos quais o exercício físico pode ajudar a travar a progressão tumoral, nomeadamente pela libertação de miocinas pelo músculo em contracção, substâncias que reforçam o sistema imunitário e activam células natural killer. Segundo a explicação apresentada, estas células podem contribuir para reduzir o crescimento tumoral entre 50 e 60 por cento. Foi ainda referido que o exercício compete com o tumor pelo acesso a nutrientes e energia, limitando a sua progressão.
Roman Cazan apresentou evidência clínica sobre os benefícios de um plano de treino estruturado e acompanhado por profissional qualificado após o tratamento oncológico, podendo reduzir o risco de morte até 27 por cento e a probabilidade de recidiva em 20 por cento. O instrutor defendeu uma abordagem multidisciplinar, em articulação com os cuidados de saúde, sublinhando que a actividade física é cada vez mais recomendada como complemento ao tratamento. “A longevidade de vida começa no conhecimento”, afirmou, agradecendo o convite da autarquia.


