Moradores de Carapuções esperam há 24 anos pelo alcatroamento da Rua 5 de Outubro
Entre poeira no Verão, lama no Inverno e promessas que ficaram pelo caminho, moradores de Carapuções voltaram a levar à Câmara de Coruche uma reivindicação antiga. Querem ver finalmente pavimentada uma rua que se situa na extremidade do concelho.
Um grupo de moradores de Carapuções, no concelho de Coruche, voltou a pedir o alcatroamento da Rua 5 de Outubro, uma via com cerca de quatro quilómetros de extensão que motivou o primeiro abaixo-assinado há 24 anos e da qual, desde então, apenas foram asfaltados cerca de 150 metros. O porta-voz dos moradores, Mário Candeias, explicou que o problema se arrasta há mais de um quarto de século e que a estrada continua em terra batida, apesar das sucessivas reivindicações apresentadas ao longo dos anos. Residente na zona há sete anos, sublinhou que há famílias que ali vivem em primeira habitação, outras que têm segunda habitação e que novas pessoas têm vindo a fixar-se naquela rua.
Segundo os moradores, a Rua 5 de Outubro tem utilização frequente e acaba por ser mais procurada, no dia-a-dia, do que a estrada alternativa alcatroada, conhecida como Estrada dos Alemães. Mário Candeias defende que essa alternativa é mais longa e com mais curvas, razão pela qual muitos automobilistas continuam a escolher a via em terra batida. O problema agrava-se, dizem os moradores, aos fins-de-semana, quando a rua é utilizada para a prática de desportos motorizados, com impacto na qualidade de vida de quem ali reside. “Entre a velocidade, o pó, os detritos e a degradação da própria estrada, dificulta-nos a vida”, afirmou o morador.
Ernesto Guarda, também morador, recordou que o primeiro abaixo-assinado foi feito pelo seu pai apenas com os cabeças de casal, num total de 27 assinaturas. “Oitenta por cento dos cabeças de casal que assinaram o primeiro abaixo-assinado já morreram”, afirmou. Descreveu ainda as dificuldades sentidas por quem vive junto à via. No Verão, a poeira obriga a manter as janelas fechadas; no Inverno, surgem a lama e os buracos. Ernesto Guarda deu como exemplo uma residente que trabalha em Lisboa, comprou um imóvel na zona e pondera ali criar alojamento local, mas que acaba por passar parte do tempo a limpar a casa devido ao pó.
Mário Candeias afirmou que a presença dos moradores na reunião de câmara de Coruche teve como objectivo impedir que o assunto “caia no esquecimento”, por se tratar de uma zona situada numa extremidade do concelho. “Quem está longe, quem não aparece, esquece, e nós temos de marcar presença com alguma regularidade nestas reuniões”, disse. Questionado sobre a resposta dada pelo município, Ernesto Guarda considerou que, “mais uma vez, é mais do mesmo, é esperar”. Já Mário Candeias admitiu manter alguma esperança, por considerar que a autarquia deu sinais de que o processo “não está esquecido” e que poderá ser tratado como prioridade.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), afirmou que, quando chegou à autarquia, teve conhecimento de que a Rua 5 de Outubro já tinha levantamento topográfico feito, motivo pelo qual pediu prioridade para o projecto, que está a ser desenvolvido pelos serviços municipais. “Contamos lançar, este ano, a empreitada, mas são sempre três a quatro meses, pelo que, na pior das hipóteses, no início do próximo ano estaremos a iniciar a empreitada. É a minha estimativa”, afirmou o autarca. “Tentamos encurtar os prazos que dependem de nós, mas há outros que dependem dos empreiteiros e eles jogam com a disponibilidade deles”, concluiu o presidente da câmara.


