Novos polícias saem de Torres Novas com dúvidas sobre futuro nos aeroportos
Uma centena de agentes recém-formados participou numa sessão de esclarecimento da ASPP/PSP na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas. Muitos temem ficar “agarrados” aos aeroportos, sem saber quando poderão exercer funções numa esquadra.
A Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, voltou a estar no centro de uma discussão nacional sobre o futuro da PSP. Cerca de uma centena de novos polícias, recém-saídos da formação, participou numa sessão de esclarecimento promovida pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), onde foram manifestadas várias preocupações sobre a colocação nos aeroportos portugueses. Segundo o presidente da ASPP/PSP, Paulo Santos, muitos destes jovens agentes esperavam iniciar a carreira numa esquadra, mas vão ser encaminhados para funções nos aeroportos, no âmbito do reforço anunciado pela PSP para reduzir os tempos de espera dos passageiros oriundos de países fora do espaço Schengen.
Em causa estão 360 novos polícias, de um total de 560 agentes que terminaram a formação no final de Maio. Para a estrutura sindical, a decisão está a criar incerteza entre os recém-formados, que questionam durante quanto tempo terão de permanecer nos aeroportos e qual será a política de transferências futura. Paulo Santos afirmou que os novos agentes saíram da sessão em Torres Novas com muitas dúvidas por esclarecer. “Querem saber se vão poder ser Polícias de Segurança Pública numa esquadra ou se vão ficar agarrados aos aeroportos”, referiu à Lusa, acrescentando que a associação vai levar estas questões à Direcção Nacional da PSP. O dirigente sindical criticou ainda o facto de jovens que acabaram de concluir a formação para exercer funções policiais estarem agora a receber formação ligada ao controlo de fronteiras. Para Paulo Santos, há uma diferença clara entre ser polícia e desempenhar funções de guarda de fronteira, considerando que esta opção “desconfigura” a missão da PSP. A ASPP/PSP tem vindo a alertar, há vários anos, para os efeitos da integração de competências do extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras na PSP. Paulo Santos entende que essa realidade está a provocar perda de capacidade operacional nas esquadras, onde continuam a faltar efectivos.
O presidente da associação sindical considera que a colocação massiva de novos agentes nos aeroportos pode agravar esse problema, retirando recursos humanos a uma polícia que já enfrenta dificuldades no policiamento de proximidade e na resposta diária às populações.


