Tomar exige ao Governo uma solução para salvar o rio Nabão
Câmara de Tomar levou ao Ministério do Ambiente a poluição persistente no Nabão e a degradação dos emissários que sobrecarregam as ETAR do Alto Nabão e de Seiça.
A poluição no rio Nabão voltou a ser levada ao mais alto nível político. O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, reuniu-se com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para procurar soluções para dois problemas que há muito condicionam o concelho: a degradação ambiental do Nabão e a renovação da rede de abastecimento de água da Mendacha, onde as perdas atingem valores praticamente incomportáveis. Mas é no Nabão que se concentra uma das feridas mais visíveis de Tomar. O rio que atravessa a cidade e que faz parte da sua identidade continua a ser, demasiadas vezes, o espelho da incapacidade das entidades públicas em resolver um problema conhecido, estudado e denunciado há décadas. O MIRANTE tem dado conta, ao longo dos anos, de episódios sucessivos de poluição, de espuma branca, água escura, maus cheiros e descargas que reaparecem sobretudo em períodos de chuva intensa.
Segundo a autarquia, parte da poluição no troço tomarense da bacia hidrográfica do Nabão está relacionada com a degradação de dois emissários, com cerca de 70 quilómetros de extensão, que conduzem efluente às ETAR do Alto Nabão e de Seiça. Em períodos de precipitação intensa, estas infraestruturas recebem caudais muito superiores à sua capacidade de tratamento, com impacto directo na qualidade da água dos rios Nabão, Zêzere e Tejo. A reabilitação dos emissários está estimada em 19,5 milhões de euros, a preços de 2020. Os autarcas concordam que a ampliação da ETAR de Seiça, embora importante, não resolvia por si só os problemas estruturais da bacia. A realidade veio demonstrá-lo: depois das obras, continuaram a ser registados episódios de poluição, reforçando a ideia de que o Nabão não precisa de medidas avulsas, mas de uma intervenção integrada, com fiscalização eficaz, investimento pesado e responsabilização de quem polui. Tiago Carrão afirma que estes são “problemas antigos, mas que têm de ter solução” e garante que o município tem trabalhado para os colocar “na agenda política ao mais alto nível”.
Ao lado da poluição do Nabão, a autarquia levou também ao Ministério o caso crítico do subsistema de abastecimento de água da Mendacha. A acumulação de calcário nas condutas, ao longo de décadas, deixou praticamente obstruída uma rede com 253 quilómetros, que serve mais de cinco mil alojamentos. As perdas de água atingem 94%, o que significa que, por cada 100 litros introduzidos na rede, apenas seis são facturados ao utilizador. A renovação está projectada em três fases e exige um investimento estimado em 17,8 milhões de euros, a preços de 2021, valor que ultrapassa largamente a capacidade financeira da Tejo Ambiente.


