Médio Tejo em corrida contra o tempo para evitar Verão negro nos incêndios
Tempestade Kristin agravou o risco em concelhos já vulneráveis. Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Tomar, Sardoal e Abrantes estão no centro das preocupações da Protecção Civil.
A sub-região do Médio Tejo entra numa fase decisiva de preparação para a época mais crítica de incêndios rurais, com reforço de meios no terreno e uma operação acelerada de desobstrução de caminhos florestais nos concelhos considerados mais vulneráveis. A prioridade é impedir que as árvores derrubadas pela tempestade Kristin se transformem em armadilhas para bombeiros, populações e viaturas de socorro. A partir de terça-feira, 16 de Junho, o dispositivo sub-regional passou a contar com mais três equipas de combate a incêndios e 15 operacionais. O reforço será novamente aumentado a 1 de Julho, com a entrada da fase Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, altura em que o Médio Tejo estará na sua capacidade máxima de resposta.
O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil do Médio Tejo, David Lobato, admite que o cenário inspira preocupação. Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Tomar, Sardoal e Abrantes já eram territórios críticos em matéria de incêndios rurais antes da passagem da tempestade Kristin. Com milhares de árvores derrubadas e mais combustível acumulado na floresta, o risco aumentou. “A nossa questão é um veículo ir para um incêndio e depois não conseguir passar, ou numa situação de evacuação ficar bloqueado com árvores. É isso que nós não queremos”, afirmou o responsável, sublinhando que os trabalhos de limpeza dos principais acessos florestais deverão ficar concluídos entre o final de Junho e o início de Julho.
Ourém continua a concentrar grande parte dos meios envolvidos nestas operações, mas também decorrem trabalhos em Ferreira do Zêzere e Mação, com recurso a máquinas de rasto para recuperar caminhos danificados. A preocupação não é apenas garantir acessos às frentes de fogo, mas também assegurar rotas de evacuação em caso de emergência. A partir de Julho, o Médio Tejo contará com 21 equipas de combate a incêndios, três equipas de apoio logístico, meios aéreos instalados em Ferreira do Zêzere e no Sardoal e estruturas permanentes de comando e coordenação. Além do reforço operacional, está a ser preparado um plano mais cirúrgico para os municípios onde o risco é maior. Os números deste início de ano também não deixam margem para facilitismos. Segundo David Lobato, a sub-região regista já 121 ocorrências e 21 hectares de área ardida. “Não é um bom início. Estamos com o terceiro pior ano em termos de ignições e o quarto pior ano em termos da área ardida”, alertou. A maioria das ocorrências tem-se concentrado desde Maio, depois de um inverno chuvoso que favoreceu o crescimento da vegetação. Com a subida das temperaturas, esse combustível fino seca rapidamente e torna os incêndios mais difíceis de controlar. O comandante avisa que os fogos são hoje mais rápidos e mais violentos. “Nos últimos anos os incêndios têm-se vindo a tornar cada vez mais explosivos”, afirmou.


