Apesar dos danos das intempéries, praia fluvial e provas de pesca estão garantidas em Coruche
A aproximação da época balnear colocou a frente ribeirinha de Coruche no centro do debate autárquico, depois de as cheias do rio Sorraia terem danificado os equipamentos que regulam o nível da água e deixado expostas fragilidades na manutenção do espaço.
O rio Sorraia encontra-se com caudal diminuto em Coruche, um facto que coincidiu com a avaria dos equipamentos que gerem o açude insuflável, danificados depois de a sala de comando ter ficado submersa durante as cheias. A situação está a atrasar a reposição habitual do nível da água e motivou críticas sobre o estado da frente ribeirinha, numa altura em que se aproxima a época balnear. A Câmara de Coruche garante, no entanto, que tem uma solução para repor o nível da água no rio e que a praia fluvial, bem como as provas de pesca previstas, não estão comprometidas.
O presidente da autarquia, Nuno Azevedo (PS), confirmou que o caudal é actualmente diminuto e explicou que o município está a ultimar um concurso para aluguer de máquinas, uma vez que não dispõe de equipamentos suficientes para realizar a intervenção no leito e nas margens. Segundo o autarca, essa intervenção permitirá regularizar o leito, criar zonas de pesqueiro e lazer, preparar a praia fluvial e assegurar as condições para o campeonato do mundo de pesca, marcado para a primeira semana de Setembro. “O facto da sala de comando ter ficado submersa e ter danificado todo o equipamento lá existente, que fazia a gestão daquelas comportas insufláveis, mesmo que não seja possível repor aquele equipamento em tempo útil, não comprometerá nada destes prazos”, afirmou Nuno Azevedo.
A avaria dos equipamentos levou o vereador do PSD, Francisco Gaspar, a questionar o presidente sobre a forma como foi aprovado um projecto, por anteriores executivos, em que a casa das máquinas se encontra abaixo do dique de protecção e da cota de cheia. O eleito social-democrata pediu informação sobre o valor da reparação e solicitou a apresentação do projecto em reunião com técnicos, para perceber se a solução inicial já previa aquela localização ou se resultou de uma decisão posterior. “Quando há prejuízos para o município, tem de se ir ao fundo das questões e apurar tudo”, defendeu.
O vereador do PSD criticou ainda o facto de a autarquia não estar já a aproveitar o rio vazio para regularizar as margens, preparar a praia fluvial e reparar os equipamentos públicos danificados na margem sul, nomeadamente papeleiras, bebedouros e repuxos. Segundo Francisco Gaspar, aquele é um espaço frequentado diariamente por muitas dezenas de pessoas que ali fazem caminhadas e deve ser mantido em boas condições.
Sobre a reparação dos equipamentos da margem sul, Nuno Azevedo explicou que está previsto um projecto com três componentes: reposição do equipamento danificado, subida das paredes da sala de comando até, pelo menos, à cota do dique, e pintura da ponte. O presidente da câmara disse que a substituição do equipamento é o mais urgente e que as restantes intervenções serão desenvolvidas posteriormente. Quanto ao custo da operação, o autarca referiu que o município contratou um projectista, mas ainda não dispõe de um valor.
Praia fluvial do Sorraia sem Bandeira Azul
Este ano, a praia fluvial do Sorraia não terá Bandeira Azul, ao contrário do que sucedeu em anos anteriores. Para a perda da distinção poderá ter contribuído o facto de, em 18 de Junho do ano passado, uma análise de rotina ter detectado “valores elevados de enterococos intestinais e/ou E. coli”. Dias depois, na sequência de uma análise realizada a 20 de Junho, a Agência Portuguesa do Ambiente confirmou que a água da Praia Fluvial do Sorraia já cumpria os parâmetros legais de qualidade.


