Fusão vai criar uma das maiores caixas agrícolas do país com sede no concelho de Santarém
A fusão entre as caixas agrícolas de Pernes e Alcanhões e do Ribatejo Norte e Tramagal vai criar uma das maiores caixas agrícolas do país, num momento em que o sector bancário se concentra e em que o modelo cooperativo do crédito agrícola continua a ser o rosto financeiro das comunidades, distinguindo-se da banca comercial pela sua proximidade, apoiando agricultores, famílias e pequenas empresas num modelo cooperativo moderno com raízes há mais de um século.
A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Pernes e Alcanhões, concelho de Santarém, está agora num processo de fusão com a sua congénere do Ribatejo Norte e Tramagal, que vai originar uma das maiores caixas agrícolas do país, ficando entre as primeiras 20 a nível nacional. A nova entidade terá a designação de Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Ribatejo Central, reunindo 12 balcões e a sua sede ficará instalada em Pernes, conforme está estabelecido no processo de fusão por incorporação.
O processo está numa fase de deliberação pelos associados das duas instituições bancárias, sendo que a assembleia geral extraordinária da Caixa de Pernes e Alcanhões está marcada para 13 de Julho. Depois é necessário cumprir vários procedimentos e obter pareceres junto de instituições como a Caixa Central e do Banco de Portugal, além de todos os procedimentos administrativos, pelo que só no próximo ano será possível a conclusão do processo.
O administrador da Caixa de Pernes e Alcanhões, Nuno Fazenda, contactado por O MIRANTE, explica que esta fusão não está relacionada com questões económicas, mas sim com um posicionamento das instituições face à evolução do sector bancário, respondendo assim à necessidade de estruturas maiores e mais especializadas. Sublinhando que tratando-se de caixas robustas em termos de estrutura e rácios financeiros, explica que com a fusão a futura caixa terá mais capacidade e alcance. E realça ainda que, por exemplo, os balcões de Pernes e de Alcanhões, só por si, são isoladamente muito fortes.
Nuno Fazenda recorda que o acompanhamento do sector já tinha levado à junção das caixas de Pernes e de Alcanhões e agora dá-se mais um passo para reforçar e consolidar a segregação de funções que cada vez mais se exige às entidades bancárias para responderem às necessidades regulatórias. Com esta fusão, por exemplo, a nova caixa passa a ter uma capacidade de financiamento, aumentando os valores limite na concessão de créditos, o que permite um maior apoio aos clientes, sobretudo às empresas.
A CCAM do Ribatejo Norte e Tramagal, CRL, resulta da fusão, no final de 2013, da caixa do Ribatejo Norte com a do Tramagal. A primeira já tinha sido criada em 1995, após a união das Caixas de Torres Novas, Tomar e Riachos, somando mais de 110 anos de existência. Actuando nos concelhos de Abrantes, Entroncamento, Sardoal, Tomar e Torres Novas, tem cerca de 12.000 associados e mais de 23.000 clientes, segundo consta do site da caixa. A CCAM de Pernes e Alcanhões é uma das instituições cooperativas mais antigas e enraizadas no concelho de Santarém, com origem na década de 1950, quando foi criada a Caixa de Pernes, com vocação para apoiar agricultores, pequenos produtores, famílias e microempresas.
O modelo das caixas agrícolas
As caixas de crédito agrícola mútuo são instituições financeiras cooperativas, pertencentes aos seus associados, que são simultaneamente clientes e donos. Cada caixa tem autonomia de gestão, órgãos sociais eleitos localmente e património próprio, funcionando segundo o princípio “um associado, um voto”. Reinvestem os resultados na actividade e no território, mantendo presença em zonas rurais onde a banca comercial tem vindo a desaparecer. Prestam serviços bancários completos — contas, crédito, cartões, seguros e banca digital — com especial atenção à agricultura, pequenas empresas, comércio local e famílias.
Integradas no Grupo Crédito Agrícola, beneficiam de supervisão interna, serviços centrais e ligação ao sistema financeiro nacional e europeu. A proximidade às comunidades e o conhecimento do território continuam a ser as marcas distintivas destas instituições.


