Sociedade | 18-06-2026 10:00

Fusão vai criar uma das maiores caixas agrícolas do país com sede no concelho de Santarém

Fusão vai criar uma das maiores caixas agrícolas do país com sede no concelho de Santarém

A fusão entre as caixas agrícolas de Pernes e Alcanhões e do Ribatejo Norte e Tramagal vai criar uma das maiores caixas agrícolas do país, num momento em que o sector bancário se concentra e em que o modelo cooperativo do crédito agrícola continua a ser o rosto financeiro das comunidades, distinguindo-se da banca comercial pela sua proximidade, apoiando agricultores, famílias e pequenas empresas num modelo cooperativo moderno com raízes há mais de um século.

A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Pernes e Alcanhões, concelho de Santarém, está agora num processo de fusão com a sua congénere do Ribatejo Norte e Tramagal, que vai originar uma das maiores caixas agrícolas do país, ficando entre as primeiras 20 a nível nacional. A nova entidade terá a designação de Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Ribatejo Central, reunindo 12 balcões e a sua sede ficará instalada em Pernes, conforme está estabelecido no processo de fusão por incorporação.
O processo está numa fase de deliberação pelos associados das duas instituições bancárias, sendo que a assembleia geral extraordinária da Caixa de Pernes e Alcanhões está marcada para 13 de Julho. Depois é necessário cumprir vários procedimentos e obter pareceres junto de instituições como a Caixa Central e do Banco de Portugal, além de todos os procedimentos administrativos, pelo que só no próximo ano será possível a conclusão do processo.
O administrador da Caixa de Pernes e Alcanhões, Nuno Fazenda, contactado por O MIRANTE, explica que esta fusão não está relacionada com questões económicas, mas sim com um posicionamento das instituições face à evolução do sector bancário, respondendo assim à necessidade de estruturas maiores e mais especializadas. Sublinhando que tratando-se de caixas robustas em termos de estrutura e rácios financeiros, explica que com a fusão a futura caixa terá mais capacidade e alcance. E realça ainda que, por exemplo, os balcões de Pernes e de Alcanhões, só por si, são isoladamente muito fortes.
Nuno Fazenda recorda que o acompanhamento do sector já tinha levado à junção das caixas de Pernes e de Alcanhões e agora dá-se mais um passo para reforçar e consolidar a segregação de funções que cada vez mais se exige às entidades bancárias para responderem às necessidades regulatórias. Com esta fusão, por exemplo, a nova caixa passa a ter uma capacidade de financiamento, aumentando os valores limite na concessão de créditos, o que permite um maior apoio aos clientes, sobretudo às empresas.
A CCAM do Ribatejo Norte e Tramagal, CRL, resulta da fusão, no final de 2013, da caixa do Ribatejo Norte com a do Tramagal. A primeira já tinha sido criada em 1995, após a união das Caixas de Torres Novas, Tomar e Riachos, somando mais de 110 anos de existência. Actuando nos concelhos de Abrantes, Entroncamento, Sardoal, Tomar e Torres Novas, tem cerca de 12.000 associados e mais de 23.000 clientes, segundo consta do site da caixa. A CCAM de Pernes e Alcanhões é uma das instituições cooperativas mais antigas e enraizadas no concelho de Santarém, com origem na década de 1950, quando foi criada a Caixa de Pernes, com vocação para apoiar agricultores, pequenos produtores, famílias e microempresas.

O modelo das caixas agrícolas

As caixas de crédito agrícola mútuo são instituições financeiras cooperativas, pertencentes aos seus associados, que são simultaneamente clientes e donos. Cada caixa tem autonomia de gestão, órgãos sociais eleitos localmente e património próprio, funcionando segundo o princípio “um associado, um voto”. Reinvestem os resultados na actividade e no território, mantendo presença em zonas rurais onde a banca comercial tem vindo a desaparecer. Prestam serviços bancários completos — contas, crédito, cartões, seguros e banca digital — com especial atenção à agricultura, pequenas empresas, comércio local e famílias.
Integradas no Grupo Crédito Agrícola, beneficiam de supervisão interna, serviços centrais e ligação ao sistema financeiro nacional e europeu. A proximidade às comunidades e o conhecimento do território continuam a ser as marcas distintivas destas instituições.

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