Golegã prepara picadeiro coberto para pôr o cavalo a trabalhar todo o ano
Projecto de dois milhões de euros pretende reforçar a vocação equestre da Golegã e transformar o Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres numa infraestrutura capaz de receber estágios, provas internacionais e eventos de maior dimensão, sem depender do estado do tempo.
A Golegã quer deixar de estar condicionada pelas condições meteorológicas para afirmar, durante todo o ano, a sua condição de capital nacional do cavalo. A câmara municipal prepara a construção de um novo picadeiro coberto, integrado na estratégia do HIPPOS - Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres, com o objectivo de reforçar a capacidade do concelho para acolher competições, estágios, formação especializada e eventos de dimensão nacional e internacional. O presidente da autarquia, António Camilo, afirmou à Lusa que a obra deverá arrancar entre Dezembro deste ano e Janeiro de 2027, depois de concluídos os ajustamentos ao projecto e ao modelo de financiamento. O investimento global está estimado em cerca de dois milhões de euros, estando já assegurado um apoio entre um milhão e 1,2 milhões de euros através do Comité Olímpico de Portugal. Falta ainda garantir cerca de 800 mil euros, verba que o município admite procurar junto de investidores, através de contratos-programa ou outras soluções de financiamento.
O autarca reconhece que a câmara não tem, neste momento, capacidade financeira para suportar sozinha a totalidade do investimento, mas garante que o projecto vai avançar de forma “responsável e transparente”. Caso não seja possível reunir todo o montante necessário numa primeira fase, a construção poderá ser faseada, sem colocar em causa a ambição central da infraestrutura. O novo picadeiro coberto pretende responder a uma limitação evidente do actual HIPPOS, que funciona ao ar livre e fica, por isso, dependente das condições climatéricas. Com a nova estrutura, a Golegã espera criar melhores condições para atletas, treinadores, equipas técnicas e organizações, permitindo uma programação mais regular e menos sazonal.
António Camilo defende que a aposta ultrapassa o plano desportivo. Para o presidente da câmara, o equipamento terá impacto directo na economia local, ao permitir atrair eventos ao longo de todo o ano, gerar movimento no comércio, restauração e hotelaria, e captar visitantes, incluindo estrangeiros. A expectativa da autarquia é que uma infraestrutura desta dimensão permita que a vila tenha actividade equestre praticamente todos os fins-de-semana. O projecto prevê condições para provas internacionais, com bancadas, áreas técnicas, zonas de apoio à comunicação social e outros espaços funcionais. Numa fase inicial, o picadeiro deverá ter capacidade para cerca de 250 espectadores, número que poderá ser ajustado em função da evolução do projecto.


