Sociedade | 19-06-2026 15:00

Ribatejo concentrou quase metade das mortes em passagens de nível em 2025

Ribatejo concentrou quase metade das mortes em passagens de nível em 2025
Santarém volta a surgir entre os locais mais afectados por acidentes junto à linha - foto arquivo O MIRANTE

Santarém surge de forma repetida no mapa das tragédias ferroviárias, num retrato que volta a expor a urgência de eliminar atravessamentos perigosos e reforçar a segurança junto à linha.

Pelo menos quatro dos 24 acidentes registados em passagens de nível em Portugal em 2025 ocorreram na zona ribatejana, provocando quatro das nove mortes contabilizadas a nível nacional. Os números apurados mostram que a região continua a ter pontos críticos na convivência entre a ferrovia, a circulação automóvel e a passagem de peões. O levantamento identifica quatro acidentes mortais. A 21 de Maio de 2025, em Vale de Figueira, no concelho de Santarém, a colisão entre um comboio e uma viatura ligeira provocou uma vítima mortal. A 26 de Junho, em Adarse/Argibay, na zona de Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, outro embate entre comboio e automóvel fez mais um morto. Já a 13 de Setembro, na Ribeira de Santarém, houve um colhimento ferroviário mortal. Pouco mais de um mês depois, a 23 de Outubro, voltou a morrer uma pessoa junto à passagem de nível à saída da estação de Santarém/Ribeira de Santarém.
O MIRANTE tem vindo a noticiar há vários anos que a solução estrutural passa pelo encerramento progressivo das passagens de nível mais perigosas e pela criação de alternativas seguras. Já em 2003, o jornal dava conta de que o distrito de Santarém estava retalhado por mais de uma centena de passagens de nível e que a então Refer tinha em curso um programa de supressão desses atravessamentos. Casos como Assacaias, Riachos, Paialvo, Vale de Figueira ou a Ribeira de Santarém mostram que o problema não é novo nem desconhecido. Em vários locais foram estudadas soluções concretas, como estradas paralelas à linha, desnivelamentos rodoviários, passagens subterrâneas e reorganização dos acessos. O problema tem estado, demasiadas vezes, na lentidão dos processos, na falta de entendimento entre entidades e no adiamento de obras que só entram na agenda pública depois de mais uma tragédia.
A passagem de nível do Peso, nos arredores de Santarém, é um dos exemplos mais críticos. Depois de duas mortes em poucos anos, O MIRANTE noticiou o impasse entre a Infraestruturas de Portugal e a Câmara de Santarém, com recomendações para alterações à via rodoviária e avaliação dos riscos ferroviários. A câmara chegou a defender uma passagem superior; a IP apontou para intervenções na própria passagem de nível. No fim, após nova morte, a solução imediata foi fechar o atravessamento, criando dificuldades a agricultores e moradores, mas confirmando que onde não há condições de segurança, não pode continuar tudo na mesma.

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