Sociedade | 21-06-2026 07:00

Voluntários já retiraram 12 toneladas de lixo das margens do Tejo

Voluntários já retiraram 12 toneladas de lixo das margens do Tejo
Há oito anos que um grupo de voluntários se dedica a limpar as margens do rio Tejo em VFX - Fotos: DESPLASTIFICA-TEjo

Movimento DESPLASTIFICA-TEjo assinalou oito anos de actividade com uma acção de limpeza na zona ribeirinha da Póvoa de Santa Iria. Em 45 iniciativas os voluntários já recolheram à volta de 12 toneladas de lixo. O grupo alerta para os perigos dos plásticos e nanoplásticos para o ambiente e para a saúde humana.

O movimento informal de cidadãos DESPLASTIFICA-TEjo realizou 45 acções e recolheu cerca de 12 toneladas de lixo em oito anos de actividade no concelho de Vila Franca de Xira. A data foi assinalada no dia 27 de Maio, mas culminou com uma acção de recolha de lixo na zona ribeirinha da Póvoa de Santa Iria, no dia 7 de Junho, assinalando também o Dia Mundial do Ambiente e o Dia Mundial dos Oceanos. Participaram 28 voluntários, alguns do grupo Ribatejo Tentajudar, incluindo cinco crianças. No final foram recolhidas 20 sacas de lixo, umas com capacidade para 100 litros e outras para 200 litros, bem como cordas, redes de pesca, esferovite, embalagens de plástico e garrafas.
Luís Pereira, um dos fundadores do DESPLASTIFICA-TEjo, explica a O MIRANTE que no cais da Póvoa e na zona envolvente acumula-se muito lixo junto à margem do rio Tejo. Uma parte chega de outras zonas com a maré, mas muitas garrafas e plásticos são atirados pelas pessoas.
A esferovite, explica, desfaz-se em pedaços muito pequenos que os peixes confundem com alimento, acabando por os ingerir e morrer. Outros fragmentos entram no organismo dos seres vivos sob a forma de nanoplásticos, passando para a corrente sanguínea e afectando toda a cadeia alimentar. “E nós depois comemos. Há vários estudos que demonstram que já há nanoplásticos no leite materno, no nosso cérebro e em vários órgãos do nosso corpo. Ainda não se sabe bem que efeitos isto pode ter na saúde, mas há estudos que apontam para a perda de fertilidade”, sublinhou.

Mais incentivos fiscais a quem entrega lixo
Ao longo de oito anos, o grupo tem recebido sugestões de cidadãos para realizar acções em zonas verdes que acumulam muito lixo. Contudo, Luís Pereira explica que, mais cedo ou mais tarde, as juntas de freguesia e as câmaras municipais acabam por limpar esses espaços, o que não acontece com tanta frequência nas zonas ribeirinhas do concelho de Vila Franca de Xira e junto das linhas de água.
Sem querer apontar o dedo aos poluidores, até porque são muitos, o porta-voz do movimento considera importante sensibilizar os pescadores através das associações que os representam, até porque o peixe é fruto do seu trabalho. Outra área de que pouco se fala são os parques logísticos junto ao Tejo. “Com o vento, vêem-se carradas de plástico e outras embalagens que vão parar às margens do rio. Era importante fazer campanhas junto dessas empresas para terem cuidado com o lixo que fica à solta”, defende.
Luís Pereira considera ainda que em Portugal, e em alguns países da Europa, subsiste a ideia de que, se há lixo na rua, alguém o tem de apanhar e que, se não foi a própria pessoa a produzi-lo, então não é da sua responsabilidade. Ainda assim, defende incentivos fiscais às empresas que encaminham correctamente os seus resíduos e também aos cidadãos, considerando que há ainda muito por fazer nesta área. “Temos de dar valor ao lixo e não ter esta política inversa de a pessoa ter de pagar para entregar o lixo. Senão dificilmente vamos conseguir combater os depósitos ilegais”.

Motorroçadoras espalham plástico
Um dos problemas que continua a verificar-se resulta do corte de ervas nas várias freguesias do concelho. Utilizam-se motorroçadoras sem se recolher previamente o lixo, acabando as máquinas por triturar os plásticos, que depois se espalham pelo ambiente. “Já tivemos uma reunião com o Departamento de Ambiente da câmara e disseram que isso não é suposto acontecer, mas no terreno encontramos muitas vezes garrafas de plástico completamente desfeitas pelas motorroçadoras e outras embalagens. A vegetação volta a crescer e o lixo continua lá, no solo”, alerta.
O balanço dos oito anos do DESPLASTIFICA-TEjo é positivo, diz Luís Pereira. Mudaram-se algumas mentalidades e a própria Câmara de Vila Franca de Xira realizou acções semelhantes e apostou na sensibilização. O grupo já foi distinguido com o prémio Heróis da Reciclagem, promovido pela Câmara de Lisboa em parceria com a Sociedade Ponto Verde.

Surpresas à beira-Tejo

Na zona ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira encontra-se todo o tipo de lixo, mas um dos casos mais insólitos foi um carrinho de compras de supermercado deixado no meio do trilho entre a Póvoa de Santa Iria e o Forte da Casa, ou uma trotinete eléctrica atirada para o Tejo. É comum dar de caras com peças de automóveis, móveis velhos e, recentemente, apareceu uma arca de madeira antiga. Depois dos eventos também é comum verem-se copos espalhados pelo chão.

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