Habitação mostra duas realidades no Ribatejo: uma pressionada por Lisboa e outra à procura de investimento
Os dados do INE mostram que a habitação está a acentuar diferenças entre municípios que, embora próximos no mapa, vivem realidades cada vez mais afastadas. Vila Franca de Xira e Benavente sentem a pressão da Área Metropolitana de Lisboa e registam preços elevados, enquanto Abrantes continua a apresentar os valores mais baixos. Pelo meio, Santarém, Tomar, Ourém e Torres Novas revelam mercados mais contidos, embora já marcados pela valorização generalizada das casas.
Os dados da Pordata, com base no INE, mostram concelhos da região com realidades muito diferentes, mas uma tendência comum: a habitação valorizou em todos e passou a ser um dos principais sinais de desigualdade territorial. Entre Vila Franca de Xira, já empurrado pela pressão da Área Metropolitana de Lisboa, e Abrantes, onde os valores continuam baixos mas a construção perde fôlego, há duas regiões: uma onde há falta de casa a preços comportáveis e outra onde há falta investimento para renovar e atrair população.
Vila Franca de Xira joga noutro campeonato. Em 2024 o valor mediano da avaliação bancária das casas chegou a 1.882 euros por metro quadrado, acima da média nacional de 1.662 euros. O preço mediano de venda atingiu 2.267 euros/m² nas casas novas e 2.086 euros/m² nas existentes. É também o maior mercado dos sete concelhos analisados pelo nosso jornal, com 65.517 alojamentos familiares concluídos em 2022, densidade de 206 alojamentos por km² e mais 401 novas casas do que no triénio 2018-2020. A oferta cresce mas cresce dentro de um mercado já caro.
Benavente confirma a força da proximidade a Lisboa. Tem apenas 15.115 alojamentos e a menor densidade do grupo, 29 por km², mas está longe de ser barato: avaliação bancária de 1.325 euros/m² e preços de venda de 1.591 euros/m² nas casas novas e 1.527 euros/m² nas existentes. Foi o concelho onde a avaliação mais subiu face a 2021, com uma variação de 45,1%, e somou mais 148 novas casas face ao triénio anterior.
Santarém surge numa posição intermédia. A capital de distrito tinha 34.883 alojamentos familiares, o segundo maior parque entre estes municípios, e uma densidade de 63,1 alojamentos por km². A avaliação bancária fixou-se em 1.191 euros/m², abaixo da média nacional, mas as casas novas venderam-se por 1.473 euros/m², valor superior ao de Tomar, Ourém e Torres Novas. O dado mais preocupante é a quebra de 64 novas casas face ao triénio 2018-2020, sinal de que a centralidade do concelho não está a ser acompanhada por nova oferta.
Tomar e Ourém mostram mercados próximos, embora com nuances. Tomar regista 26.121 alojamentos, densidade de 74,4 por km², avaliação bancária de 1.151 euros/m² e venda de casas novas a 1.195 euros/m², contra 907 euros/m² nas existentes. Ourém tem um parque maior, com 29.945 alojamentos, densidade de 71,8 por km², avaliação de 1.105 euros/m² e preços de 1.071 euros/m² nas novas e 990 euros/m² nas existentes. Ambos aumentaram a construção, mas de forma moderada: mais 35 casas em Tomar e mais 46 em Ourém.
Torres Novas aparece como o mercado mais equilibrado do grupo de concelhos do Médio Tejo. Com 21.057 alojamentos e a maior densidade entre os concelhos interiores analisados, 78 por km², tinha uma avaliação bancária de 1.082 euros/m². As casas novas venderam-se por 928 euros/m² e as existentes por 878 euros/m², valores ainda relativamente contidos. A subida de 52 novas casas face ao triénio anterior mostra algum dinamismo sem colocar o concelho nos patamares de maior pressão.
No extremo mais acessível está Abrantes. O concelho tinha 25.155 alojamentos, densidade de 35,2 por km² e a avaliação bancária mais baixa dos sete municípios, 904 euros/m². As vendas ficaram em 693 euros/m² nas casas novas e 717 euros/m² nas existentes. Mas o preço baixo também denuncia fragilidade: Abrantes foi, com Santarém, um dos únicos concelhos onde houve menos casas novas do que no triénio 2018-2020, neste caso menos 15.


