Sociedade | 22-06-2026 07:00

Mãe que mantém ocupação de casa da Câmara de Torres Novas foi despejada de Benavente

habitacao casa
foto ilustrativa

Mulher que ocupa ilegalmente uma casa municipal foi despejada, por decisão judicial, de uma habitação social em Benavente. Família monoparental com quatro crianças continua há mais de um mês no imóvel, sem contrato e sem água.

O caso da ocupação ilegal de uma antiga casa dos magistrados, propriedade da Câmara de Torres Novas, ganhou novos contornos na reunião do executivo realizada a 9 de Junho. A vice-presidente da autarquia, Elvira Sequeira, revelou que a mulher que se encontra no imóvel com quatro filhos menores veio de Benavente, onde, segundo afirmou, foi despejada por decisão judicial de uma habitação social que também ocupava ilegalmente. A autarca acrescentou ainda que a mesma mulher já teria tentado ocupar outra habitação em Torres Novas.
A informação foi avançada na sequência de uma pergunta do vereador do PSD, Tiago Ferreira, que quis saber em que ponto se encontrava a situação da moradia dos antigos juízes e se o imóvel já tinha deixado de estar ocupado. Elvira Sequeira lembrou que a câmara apresentou queixa em tribunal, aguardando agora uma decisão judicial que permita resolver o processo.
Sobre o caso, já noticiado por O MIRANTE, que envolve uma mãe com quatro filhos menores, com idades entre os cinco meses e os dez anos, a viver numa casa sem contrato de arrendamento e sem abastecimento de água, Elvira Sequeira explicou que a situação começou antes da ocupação. Uma ou duas semanas antes, disse, recebeu a mulher nos serviços municipais. A munícipe terá explicado que estava com problemas habitacionais, que iria ser despejada da casa onde se encontrava e que não tinha para onde ir. Segundo a vice-presidente, a mulher dizia ter condições para pagar uma renda, mas não conseguia arrendar no mercado privado por não apresentar declaração de IRS nem outros documentos habitualmente exigidos pelos senhorios.
A autarca diz que a alertou sobre a ilegalidade de ocupar uma casa e que chegou a sugerir algumas possibilidades de arrendamento. Pouco tempo depois, ao deslocar-se às casas dos magistrados para avaliar questões relacionadas com serviços municipais, encontrou a mulher no interior de uma das habitações.
A vice-presidente disse desconhecer como é que a mulher entrou no imóvel. A casa tinha estado ocupada até há pouco tempo por uma pessoa que, entretanto, foi realojada no bairro da Calçada António Nunes. A autarquia acabou por chamar a PSP, mas a existência de quatro crianças menores, recorde-se, tornou impossível uma resolução imediata. A situação terá também sido sinalizada pela PSP à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
Tal como o nosso jornal noticiou em Maio, a ocupante conseguiu, segundo Elvira Sequeira, alterar a morada no Cartão de Cidadão para a casa municipal e contratar electricidade para o imóvel. Já o abastecimento de água não foi activado porque a entidade responsável, a Águas do Ribatejo, exige contrato de arrendamento.
Elvira Sequeira foi clara ao afirmar que a câmara não tem, neste momento, uma resposta habitacional para uma família com quatro crianças. “Não temos casas”, resumiu, reconhecendo que a situação é particularmente sensível por envolver menores. A única solução disponível, explicou, seria um T0, manifestamente insuficiente para uma família numerosa e, entretanto, afecto a outra situação de emergência.
Tiago Ferreira defendeu, durante a reunião, que Torres Novas precisa de reforçar respostas de arrendamento a custos acessíveis, considerando que casos como este mostram a fragilidade das soluções existentes.

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