Sociedade | 22-06-2026 15:00

Viva Mundo: um projecto de milhões que promete transformar Santarém e a região

Viva Mundo: um projecto de milhões que promete transformar Santarém e a região
Apresentação do projecto Viva Mundo juntou no Convento de São Francisco centenas de convidados - foto O MIRANTE

São 450 milhões de euros de investimento previstos para criar um mega parque temático dedicado ao futebol nos arredores de Santarém, num terreno cedido pela Igreja Católica a um grupo de investidores portugueses e britânicos. Prevê-se a criação de perto de um milhar de postos de trabalho e mais de um milhão de visitantes por ano. A data da inauguração já está marcada: 20 de Abril de 2030.

No dia em que começou, no México, o Mundial de Futebol 2026, Santarém recebeu a apresentação pública do mega parque temático Viva Mundo, investimento estimado em 450 milhões de euros que, segundo os promotores privados, integra uma visão de longo prazo, associada ao Mundial de Futebol de 2030 que terá Portugal como um dos organizadores. O empreendimento vai nascer numa área de 80 hectares nos arredores da cidade, junto à EN 362, no troço entre a fábrica de cerveja da Font Salem e a zona do Gualdim. O terreno é cedido pela Paróquia de Marvila e o empreendimento tem já inauguração marcada para 29 de Abril de 2030.
Os investidores principais são o empresário português José Ferraz e o britânico Munir Samji, que terão como homem do leme na execução da obra o ex-autarca de Cascais Carlos Carreiras - o homem que, há mais de duas décadas, comandou a construção da fábrica de cerveja Cintra em Santarém, curiosamente não muito longe do terreno para onde está agora previsto este mega empreendimento. Perspectiva-se a criação de 800 a mil postos de trabalho e mais de um milhão de visitantes por ano.
A apresentação decorreu no Convento de São Francisco, em Santarém, perante uma numerosa plateia. Carlos Carreiras sublinhou a importância da localização central de Santarém, as boas acessibilidades e a cooperação e pró-actividade das várias entidades envolvidas, desde a Câmara de Santarém à Diocese de Santarém, passando pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, como factores decisivos na escolha assumida. “É uma oportunidade que Santarém e o país não podiam deixar fugir”, afirmou.
O presidente da Câmara de Santarém também agradeceu a todos os envolvidos, com destaque para a sua equipa no município, pela forma célere como foi conduzido o processo nos últimos meses e tomadas as decisões que vão permitir arrancar com a obra, se tudo correr como o esperado, no primeiro trimestre de 2027. João Leite vincou que este projecto insere-se na lógica de atracção de investimento privado que assumiu desde o início do mandato e que vai ter efeitos marcantes no desenvolvimento do território a nível concelhio e regional. “A escolha de Santarém para acolher este projecto é um sinal de confiança no nosso território e nas pessoas que aqui vivem e trabalham”, vincou, acrescentando que o projecto vai revolucionar o concelho e a região e que Santarém, mantendo a sua identidade, “vai estar irreconhecível daqui a dez anos”.

Plateia numerosa testemunhou a apresentação
A muito concorrida sessão contou com a presença da ministra do Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do secretário de Estado da Agricultura João Moura, de vários deputados à Assembleia da República, de presidentes de câmara e vereadores de diversos municípios, da presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, do presidente do Instituto Português do Desporto e da Juventude, Ricardo Gonçalves, do bispo de Santarém, D. José Traquina, de representantes de múltiplas instituições nacionais, regionais e concelhias, empresários, investidores, autoridades civis e militares e figuras ilustres da cidade, como Pedro Canavarro e Hermínio Martinho.

Igreja arrenda os terrenos

O presidente da Câmara de Santarém, João Leite, revelou, na reunião do executivo de 12 de Junho, alguns detalhes do negócio que levou à cedência de um terreno com 80 hectares, pela Paróquia de Marvila, aos investidores que pretendem construir o parque temático Viva Mundo nos arredores da cidade. Está previsto um encaixe inicial de 500 mil euros, destinados à requalificação do Lar do Gualdim, valência social tutelada pelo Centro Social Interparoquial de Santarém. Segundo o autarca, o terreno vai ser cedido pela Igreja, em direito de superfície, por 100 anos, estando prevista uma renda anual inicial na ordem dos 120 mil euros, substancialmente maior da que a Igreja recebia actualmente, que andaria pelos 10 mil euros anuais. Os promotores suportaram também os custos com a antecipação do contrato que estava em vigor com o anterior arrendatário, que durava mais dois anos.

Viva Mundo em Santarém obriga a alterar uso do solo

Os terrenos onde se prevê implantar o parque temático Viva Mundo, nos arredores de Santarém, estão classificados como solo rústico, não tendo aptidão para construção. Nesse sentido, o executivo da Câmara de Santarém aprovou, na reunião de 12 de Junho, o início do procedimento para a elaboração do Plano de Pormenor da Quinta de Santo António, na União de Freguesias de Achete, Azoia de Baixo e Póvoa de Santarém, propriedade da Paróquia de Marvila onde vai nascer o empreendimento. A área de intervenção é de 83 hectares. Estão também em curso procedimentos para a classificação como Projecto de Interesse Nacional (PIN), bem como trabalhos de planeamento territorial em articulação com as entidades competentes.

João Leite aponta como prioritária plataforma intermodal em Santarém

Após a apresentação pública do projecto, o presidente da Câmara de Santarém considerou que o projecto “Viva Mundo”, vai “revolucionar” o concelho e contribuir para o desenvolvimento da região, destacando o impacto económico e a criação de emprego. Segundo o responsável, o município tem vindo a trabalhar com os investidores desde o início do ano, defendendo que a escolha de Santarém resultou da sua “localização estratégica, acessibilidades rodoviárias e ferroviárias e proximidade a futuras infraestruturas”, incluindo o novo aeroporto. O clima também foi um factor relevante para a instalação do empreendimento, que vai funcionar durante todo o ano, com hotel, zona comercial e de restauração, para além da componente de diversão.
João Leite enfatizou o impacto regional do projecto, defendendo uma abordagem intermunicipal no planeamento que se estende ao “conjunto do território do Oeste e Vale do Tejo”. Neste contexto, apontou como prioritário o desenvolvimento de um novo nó intermodal em Santarém, junto ao CNEMA, para “reforçar a ligação ferroviária e rodoviária”, bem como integrar “soluções inovadoras de mobilidade”, incluindo um vertiporto.
Relativamente às acessibilidades, o autarca reconheceu a necessidade de reforço do investimento público na região, defendendo a concretização de projectos rodoviários como a A13 e melhorias na ferrovia, embora considere que o concelho já é servido por uma rede relevante de autoestradas.

À Margem

É o momento de agir

O presidente da Câmara de Santarém, João Leite, disse no final da sua intervenção que “este é o momento de agir”. E a frase não podia estar mais bem colocada, no espaço e no tempo. Com os sucessivos anúncios de projectos de grande impacto para a cidade, concelho e região, a fasquia está colocada bem alto e qualquer falhanço à boca da baliza será cobrado com juros pelos “velhos do Restelo”. Um projecto de 450 milhões de euros leva muita gente a jogar à defesa, porque quando a esmola é grande o pobre desconfia. Mas, como diria um célebre treinador de futebol luso, há que acreditar. O ex-presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, rotulado como um fazedor, vai ser o timoneiro do projecto e regressa a Santarém, onde há mais de duas décadas dirigiu a implantação da fábrica de cerveja Cintra. A aposta num nome reconhecido acrescenta credibilidade ao projecto. Agora, é entrar em campo e bola para a frente!

João Calhaz

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