Sociedade | 23-06-2026 07:00

Abrantes: o concelho que cresceu pelas mãos de quem o serviu

Abrantes: o concelho que cresceu pelas mãos de quem o serviu
Ambrósio dos Santos e Natália Manana

Natália Manana e Ambrósio dos Santos foram homenageados pelo município de Abrantes depois de uma vida dedicada ao serviço público. A cerimónia assinalou os 110 anos da elevação de Abrantes a cidade e valorizou o papel dos trabalhadores municipais na construção do concelho.

O Dia da Cidade de Abrantes foi também dia de reconhecimento a quem, longe dos holofotes, ajudou durante décadas a construir o concelho no quotidiano. Natália Manana, 67 anos, e Ambrósio Lino dos Santos, 63 anos, foram dois dos trabalhadores municipais homenageados no domingo, 14 de Junho, durante a cerimónia comemorativa dos 110 anos da elevação de Abrantes a cidade, realizada no pátio do Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida. A homenagem aos funcionários municipais recentemente aposentados marcou um dos momentos mais simbólicos da cerimónia, sublinhando a importância do serviço público e da dedicação de quem passou grande parte da vida profissional ao serviço da população.
Natural da freguesia de Tramagal, Natália Manana desenvolveu a sua carreira na área das bibliotecas municipais. Começou por exercer funções na biblioteca de Tramagal e, ao longo dos anos, desempenhou várias tarefas ligadas ao atendimento ao público, à organização dos serviços e à promoção do acesso à leitura e à cultura. O seu percurso acompanha também a evolução cultural do concelho. Entre as transformações que mais destaca em Abrantes está a criação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, equipamento que considera uma mais-valia para o território e para a afirmação cultural da cidade.
Também homenageado pelo município, Ambrósio Lino dos Santos tem uma ligação de quase uma vida à autarquia. Entrou ao serviço da câmara municipal com apenas 15 anos e cumpriu 47 anos de trabalho no município. Começou em funções ligadas à preparação de terrenos para a construção do Hospital de Abrantes, participando na limpeza e plantação da área onde viria a nascer aquela unidade hospitalar. Mais tarde, depois de tirar a carta de condução aos 21 anos, integrou os serviços de transporte do município, primeiro como motorista de pesados e depois no transporte de passageiros. Durante cerca de 20 anos foi motorista do antigo presidente da câmara Nelson de Carvalho, regressando posteriormente ao serviço de transporte colectivo municipal nos autocarros. Ao olhar para trás, Ambrósio dos Santos recorda um concelho profundamente diferente daquele que conheceu quando iniciou funções. “Isto modificou muito. Não tem nada a ver com o que era antigamente”, afirmou, reconhecendo ser gratificante ter acompanhado, ao longo de décadas, a transformação de Abrantes.

Abrantes com os olhos postos no futuro
A cerimónia decorreu no último dia das Festas de Abrantes. Na sua intervenção, o presidente da câmara municipal, Manuel Valamatos, destacou o papel das pessoas na construção da identidade e do desenvolvimento do concelho. O autarca sublinhou que o Dia da Cidade é um momento de celebração da história, da comunidade e da memória colectiva abrantina, mas também de reconhecimento a todos os que contribuíram para o percurso do município. A homenagem aos trabalhadores aposentados foi, nesse sentido, apresentada como um gesto de gratidão pelo trabalho, dedicação e empenho demonstrados ao longo de décadas ao serviço da população. Manuel Valamatos defendeu ainda a importância de continuar a investir no futuro de Abrantes, nomeadamente nas áreas da habitação, educação e cultura, bem como na criação de condições para fixar e atrair jovens.

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