Sociedade | 24-06-2026 10:00

Associação de Coruche defende mais articulação na prevenção de incêndios

Associação de Coruche defende mais articulação na prevenção de incêndios
Rita Bonacho durante um seminário sobre cortiça em Coruche - foto arquivo O MIRANTE

Intempéries, custos acrescidos e excesso de combustível nos espaços florestais marcam uma campanha em que os proprietários ganharam mais um mês para cumprir as obrigações legais.

O prolongamento do prazo para a limpeza de terrenos até 30 de Junho pretende dar “tempo útil” aos proprietários, num ano “particularmente sensível” devido às condições meteorológicas adversas e à maior carga de combustível nos espaços florestais, defendeu a presidente da Associação de Produtores Florestais de Coruche, Rita Bonacho.
Em declarações à Lusa, a também dirigente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou que a decisão responde à necessidade de permitir que os trabalhos de gestão de combustível possam ser concluídos num contexto agravado pelas tempestades registadas em Janeiro e Fevereiro. O prazo para a limpeza de terrenos, que terminava a 31 de Maio, foi alargado até 30 de Junho para todo o território nacional.
Rita Bonacho disse presumir que a extensão do prazo resulte de “dados concretos” que apontam para a necessidade de mais tempo, embora tenha ressalvado não dispor de números nacionais sobre o grau de execução das limpezas. No concelho de Coruche, adiantou, a situação está “dentro do expectável”, fruto de um “esforço concertado entre proprietários, município e entidades envolvidas”, admitindo, no entanto, que o cenário possa ser diferente noutras regiões mais atingidas pelas intempéries.
A dirigente sublinhou que a discussão não deve centrar-se apenas no cumprimento das obrigações por parte dos proprietários, mas também no papel do Estado, nomeadamente na execução das chamadas faixas de gestão de combustível. “Muitas vezes, o Estado passa para o privado uma responsabilidade que também é sua”, afirmou, apontando atrasos na implementação das faixas primárias, zonas onde a vegetação é reduzida ou controlada para diminuir o risco e a propagação de incêndios.
Segundo Rita Bonacho, essas faixas “foram estrategicamente pensadas para garantir a segurança do território”, mas “poucas estão concretizadas”, sendo os elevados custos um dos principais entraves. A responsável lembrou ainda que as intempéries vieram dificultar os trabalhos e aumentar os custos de limpeza, ao mesmo tempo que provocaram “perdas significativas” para muitos proprietários florestais. “Em situações de catástrofe todos perdemos”, frisou, defendendo o reforço das medidas de prevenção e da sensibilização das populações face ao risco de incêndio.
Rita Bonacho destacou também o papel das associações florestais e das equipas de sapadores na prevenção e na primeira intervenção, sublinhando que, no caso de Coruche, estes meios chegam “em cerca de 80% das situações” antes de outros operacionais. “A primeira intervenção é fundamental. Conseguir travar um fogo nos primeiros momentos faz toda a diferença”, afirmou.
A presidente da Associação de Produtores Florestais de Coruche defendeu ainda uma estratégia de prevenção “da base para cima”, com maior conhecimento do território e envolvimento local, num contexto em que os “eventos climáticos extremos tendem a tornar-se mais frequentes”.

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