Empresa defende unidade de biometano em Árgea face à contestação de moradores e autarquia
A empresa Gás da Terra admite que a proximidade do empreendimento a habitações é uma preocupação sensível, mas considera que não é, por si só, incompatível com este tipo de tecnologia, desde que existam medidas de controlo adequadas.
A empresa Gás da Terra defendeu a localização da unidade de biometano projectada para Árgea, em Torres Novas, garantindo que os impactos ambientais estão avaliados e controlados, apesar da contestação de moradores e da oposição manifestada pelo município. “A melhor forma de responder à contestação não é desvalorizar receios, mas explicar o projecto, apresentar os dados técnicos disponíveis e reforçar mecanismos de diálogo e transparência”, afirmou à Lusa fonte oficial da empresa promotora do investimento.
O projecto, em consulta pública no âmbito do Licenciamento Único Ambiental, tem motivado críticas de moradores de Árgea, na União de Freguesias de Olaia e Paço, que alertam para impactos nos odores, qualidade do ar, tráfego pesado, recursos hídricos e qualidade de vida. Também o presidente da Câmara de Torres Novas, Trincão Marques, já manifestou reservas quanto à localização, considerando que o concelho “não tem aptidão” para acolher uma unidade desta natureza naquele local.
A Gás da Terra sustenta, contudo, que a unidade foi estudada desde o final de 2023, numa fase preliminar ligada à rede de gás da estação de Asseiceira, tendo o desenvolvimento formal avançado no último trimestre de 2024, após contactos com o município e a contratualização de terrenos. A empresa refere ainda que foram analisadas alternativas em Torres Novas e em concelhos vizinhos, como Tomar e Vila Nova da Barquinha, tendo a localização actual sido considerada a mais adequada face à proximidade de matérias-primas, acessos, ligação à rede de gás e viabilidade técnica e económica.
Segundo a promotora, a unidade permitirá valorizar estrumes, chorumes e resíduos agrícolas num raio de 20 a 30 quilómetros, numa lógica de economia circular e produção de energia renovável. “A valorização de efluentes agropecuários através de digestão anaeróbia é reconhecida na Europa como solução para gestão de resíduos, redução de emissões e devolução de nutrientes aos solos”, acrescentou.
Sobre as críticas dos moradores, a empresa admite a proximidade a habitações como uma preocupação “sensível”, mas considera que não é, por si só, incompatível com este tipo de tecnologia, desde que existam medidas de controlo adequadas. Em matéria de odores, o projecto prevê recepção de matérias-primas em edifícios fechados com sistemas de extracção e tratamento de ar através de biofiltros, além de modelações de dispersão atmosférica incluídas no Estudo de Impacte Ambiental.
Quanto ao tráfego, a empresa estima cerca de 35 veículos pesados por dia em fase de exploração, entre as 08h00 e as 17h00, admitindo disponibilidade para ajustar horários e rotas em articulação com as autarquias. No que respeita aos recursos hídricos, a Gás da Terra confirma que a área se encontra numa zona de protecção alargada associada à captação de Vale Tripeiro, situação avaliada em sede de estudo ambiental.
A unidade foi concebida para funcionar em circuito fechado, sem descargas de efluentes, com sistemas de impermeabilização, detecção de fugas e bacias de retenção para protecção de solos e aquíferos. A empresa refere que, com as medidas previstas, o risco de contaminação é reduzido e controlável.
Face à contestação, a promotora afirma estar disponível para analisar contributos da consulta pública e ponderar medidas adicionais, embora sublinhe que alterações de fundo terão de ser avaliadas nos planos técnico, ambiental, económico e jurídico. O processo de consulta pública decorre até 25 de Junho, estando a decisão ambiental prevista para o último trimestre de 2026. Caso obtenha parecer favorável, a empresa prevê iniciar a construção em 2027.
O investimento é estimado em 18 milhões de euros e prevê tratar cerca de 98 mil toneladas anuais de resíduos, produzindo 6,5 milhões de metros cúbicos de biometano. “A transição energética só faz sentido se for feita com os territórios e com respeito por quem neles vive”, concluiu a fonte oficial da empresa, defendendo um projeto de energia renovável com responsabilidade ambiental e proximidade às comunidades.


