Sociedade | 24-06-2026 12:00

Laboratório de anfetaminas no Tagusvalley coloca Abrantes no centro das maiores operações anti-droga

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foto ilustrativa

A instalação de um laboratório industrial de anfetaminas no Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes foi o epicentro de uma operação da Polícia Judiciária que desmantelou uma rede criminosa internacional. Os suspeitos conseguiram infiltrarse no parque tecnológico público sob a fachada de uma empresa inovadora, até ser desmantelada pela PJ com apreensões recorde de droga.

A descoberta de um laboratório industrial para a produção de anfetaminas instalado no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes tornou-se uma das peças chave da Operação Erva Daninha da Polícia Judiciária, que desmantelou uma rede criminosa internacional ligada ao tráfico de droga, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. A estrutura funcionava sob a fachada de uma empresa tecnológica, criada em 2022, que prometia produzir polímeros para a indústria aeroespacial, mas que afinal escondia um esquema sofisticado de produção e transformação de drogas sintéticas.
A operação, realizada em 2023 mas tornada pública agora, mobilizou cerca de três centenas de inspectores, peritos, magistrados do Ministério Público e juízes, envolvendo buscas em Portugal, Espanha, Bulgária e Chipre. No total, foram apreendidas mais de 7,3 toneladas de canábis, cerca de uma tonelada de anfetaminas — a maior apreensão registada no país — além de 400 mil euros, armas e viaturas.
Segundo a investigação, quatro dos principais arguidos — Geert Caers, Reinier de Jong, Benny Falk e Michael Sorensen — instalaram no Tagusvalley a empresa Polyfarchemi, que apresentou um projecto credível. O layout do pavilhão, os equipamentos e a organização interna não levantaram suspeitas aos responsáveis do parque tecnológico, que foram surpreendidos pela situação. Menos de um ano após a instalação, a PJ encontrou no interior da nave industrial reactores, misturadores, bombas de vácuo, máquinas de selagem e substâncias químicas usadas para produzir anfetaminas e transformar cocaína. A droga era depois enviada para Espanha e Países Baixos.

Rede internacional explorava falhas de fiscalização
A investigação concluiu que o grupo criminoso se aproveitou de fragilidades nos mecanismos de controlo do sector da canábis medicinal, adquirindo empresas licenciadas para cultivo e exportação e usando documentação falsa para desviar grandes quantidades de produto para o mercado negro europeu e africano. A rede operava com elevado poder logístico e financeiro, recorrendo a empresas‑fantasma, certificados falsos e esquemas de branqueamento de capitais com ramificações internacionais.
Após a operação policial, a Polyfarchemi abandonou as instalações, deixou de pagar rendas e nunca mais respondeu aos contactos do Tagusvalley. O parque tecnológico já garantiu que cumpriu todos os procedimentos normais de instalação e que não existe obrigação de monitorizar permanentemente a actividade interna das empresas já constituídas.
A acusação do Ministério Público envolve 13 pessoas e 11 empresas, incluindo empresários estrangeiros e figuras ligadas ao sector farmacêutico nacional. Dois arguidos estão em prisão preventiva e outros dois continuam em parte incerta, com mandados de detenção internacionais emitidos.
Autarca diz que empresa não levantava suspeitas
O presidente da Câmara de Abrantes refere que inicialmente os empresários apareceram com elementos de uma imobiliária e com um objectivo definido de se instalarem rapidamente na zona industrial. Mas, realça Manuel Valamatos, não havia espaço disponível para a dimensão do projecto e a empresa foi para o Tagusvalley no âmbito da vertente de acolhimento de empresas, que funciona com arrendamento de espaços, diferente da componente de incubação onde as empresas têm um acompanhamento frequente até por causa da necessidade de as ajudar ao seu desenvolvimento.
O autarca, sublinhando que em 20 anos de parque este é o primeiro problema registado, salienta que a situação nunca levantou suspeitas até à operação da Judiciária, E confirma que as pessoas envolvidas, como as ligadas à imobiliária, desapareceram, e que nunca mais se conseguiu contactar com alguém. Manuel Valamatos salienta que os suspeitos conseguiram enganar muita gente.

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