Sociedade | 26-06-2026 21:00

Perdas de água na Mendacha em Tomar atingem valor insustentável de 94%

Perdas de água na Mendacha em Tomar atingem valor insustentável de 94%

Subsistema da Mendacha está em estado crítico, com uma rede de 253 quilómetros, quase totalmente obstruída pela acumulação de calcário ao longo de décadas.

A rede de abastecimento da Mendacha tornou-se um dos retratos dramáticos da falta de investimento estrutural em Tomar: por cada 100 litros de água que entram no sistema, apenas seis chegam a ser facturados. O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, levou o problema à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, numa reunião onde também esteve em cima da mesa a poluição do rio Nabão, outro dossiê ambiental que há demasiado tempo marca a vida do concelho.
Segundo a autarquia, o subsistema da Mendacha está em estado crítico, com uma rede de 253 quilómetros, quase totalmente obstruída pela acumulação de calcário ao longo de décadas, servindo mais de cinco mil alojamentos. As perdas de água atingem agora os 94%, um número que transforma o problema numa emergência ambiental, financeira e política. Não está em causa apenas a eficiência de uma empresa intermunicipal ou a qualidade do serviço prestado. Está em causa a sustentabilidade de um recurso essencial e a capacidade do Estado responder a uma infraestrutura que envelheceu sem que tivesse havido investimento à altura, sustenta a autarquia.
O assunto não é novo. O MIRANTE tem noticiado nos últimos anos as falhas recorrentes no abastecimento de água em Tomar, sobretudo nas zonas servidas pela Mendacha. Em 2023 já se falava em perdas de cerca de 70% no concelho, associadas a condutas degradadas e a uma rede incapaz de responder aos consumos, em especial nos períodos de maior pressão. Mais recentemente, as rupturas e constrangimentos voltaram a colocar a Tejo Ambiente no centro das críticas, com especial incidência na zona da Mendacha, onde o calcário acumulado no interior das tubagens fragiliza a rede e condiciona o normal abastecimento às populações. Em Janeiro deste ano, as falhas sentidas em Cem Soldos e Porto Mendo voltaram a expor a dimensão do problema. A Tejo Ambiente admitiu então que os constrangimentos resultavam da acumulação de calcário numa infraestrutura em funcionamento desde 1959, afastando a hipótese de se tratar de uma simples ruptura localizada. A empresa reconheceu tratar-se de um problema estrutural, que não se resolve com remendos, transporte alternativo de água ou intervenções pontuais.
A Câmara de Tomar refere que o projecto de renovação da rede já está desenvolvido e prevê uma intervenção faseada em três zonas do concelho, num investimento total estimado em 17,8 milhões de euros, a preços de 2021. O valor, sublinha o município, ultrapassa largamente a capacidade financeira da Tejo Ambiente, razão pela qual Tiago Carrão procura envolver o Governo na solução. “Estes são problemas antigos, mas que têm de ter solução”, afirmou o autarca, defendendo que Tomar não pode continuar a pagar a factura de décadas de adiamentos.

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