Sociedade | 27-06-2026 15:00

Contentores ilegais em Vale do Paraíso: município ameaça avançar com remoção coerciva

Contentores ilegais em Vale do Paraíso: município ameaça avançar com remoção coerciva
Câmara de Azambuja admite remover coercivamente os contentores ilegais que estão num terreno em Vale do Paraíso - foto DR

Presença de contentores marítimos instalados há vários meses num terreno em Vale do Paraíso continua a incomodar a população. Presidente da Câmara de Azambuja fala em ilegalidade e diz que se não houver retirada voluntária, os equipamentos serão removidos pelos serviços municipais.

Os seis contentores marítimos colocados há vários meses num terreno em Vale do Paraíso, concelho de Azambuja, continuam no local para insatisfação da população. A instalação, feita sem enquadramento legal, tinha levado a Câmara de Azambuja a intervir no final do ano passado, dando ao responsável um prazo de 60 dias úteis para retirar os equipamentos. O prazo terminou e os contentores ficaram, com a autarquia a admitir agora avançar para a remoção coerciva.
O caso tem provocado incómodo em Vale do Paraíso, sobretudo porque a população não percebe quem está por trás da instalação nem qual o objectivo concreto da presença daqueles equipamentos. À primeira vista, os contentores surgiram “de um momento para o outro”, colocados sobre uma base de cimento, dando a sensação a alguns moradores de que poderia ali nascer uma espécie de bairro improvisado. Entretanto, além dos contentores, foram já vistas tendas e outras estruturas no local, aumentando as preocupações com a ocupação do espaço, a salubridade e a saúde pública.
Alfredo Pereira, um dos moradores com quem O MIRANTE falou, diz que passa frequentemente junto ao terreno aos fins-de-semana, durante as suas caminhadas, e que continua a ver sinais de presença humana. “As portas dos contentores ficam abertas durante várias horas, vêem-se carros e pessoas”, contou. Segundo o morador, as pessoas que ali se deslocam não são conhecidas na freguesia. “Aparecem aqui nas suas viaturas e ao fim de algumas horas vão embora”, afirma. Há, por isso, quem suspeite que o local poderá estar a ser usado para actividades religiosas.

Câmara e junta de freguesia alinhadas
O presidente da Câmara da Azambuja, Silvino Lúcio (PS), diz a O MIRANTE que assim que a autarquia teve conhecimento da ocupação do terreno procurou identificar o promotor da instalação, tendo conseguido chamá-lo aos serviços municipais. Nessa reunião, foi-lhe explicado que não era juridicamente possível transformar aquele espaço numa solução habitacional através da colocação dos contentores. O próprio promotor terá indicado que 60 dias úteis seriam um prazo razoável para proceder à remoção, mas acabou por não cumprir.
“O senhor não o fez, desapareceu”, afirma Silvino Lúcio, explicando que a autarquia vai tentar novamente localizar o responsável. Ainda assim, o presidente da câmara deixa claro que a intenção municipal não mudou. “Aquilo não é possível estar ali”, vinca. Caso o promotor não retire voluntariamente os contentores, afiançou, a câmara vai avançar para uma “retirada coerciva”, removendo os equipamentos para o “parque oficinal do município”. As despesas com a operação, incluindo transporte e armazenamento, explicou, serão depois imputadas ao proprietário ou promotor da instalação.
A presidente da Junta de Freguesia de Vale do Paraíso, Madalena Isidro (PS), é peremptória: “Não quero aquilo na minha freguesia”, afirmou ao nosso jornal, sublinhando que tem acompanhado o caso de perto e falado com a população. A autarca confirma que a junta tem insistido junto da câmara para que a situação seja resolvida e garante que a permanência dos contentores não é aceitável. “As pessoas sabem o meu interesse e o meu empenho em resolver a situação. Não depende só de mim, mas temos tentado fazer o que tem que ser feito”, declarou.

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