Sociedade | 27-06-2026 18:00

Mãos que moldam a identidade de uma região

Mãos que moldam a identidade de uma região
Cristina Reis, de Abrantes, e Carla Mesquita, do Entroncamento, dedicam-se ao artesanato há vários anos

Entre a cerâmica e o croché, Cristina Reis e Carla Mesquita transformaram paixões de infância em modo de vida e levam às feiras da região peças onde cabem memória, território e tradição.

Natural de Abrantes, Cristina Reis, 37 anos, tem na cerâmica uma ligação antiga e afectiva. O contacto com o barro começou ainda em criança, na casa dos avós, onde o avô lhe dava pequenos pedaços para moldar. O gosto cresceu com o tempo e acabou por orientar o seu percurso académico e profissional. Licenciou-se e concluiu mestrado em Conservação e Restauro, com especialização em cerâmica, área que viria a marcar de forma decisiva o seu trabalho. Depois de vários anos a participar em feiras de artesanato, Cristina Reis decidiu abrir, em 2019, um atelier próprio em Abrantes. A decisão surgiu também pela insistência dos clientes, que lhe perguntavam onde poderiam encontrar as peças durante o resto do ano. O espaço tornou-se loja, oficina de criação e montra da cidade, onde a artesã procura transformar símbolos locais em objectos com identidade. Grande parte do seu trabalho está ligado à valorização de Abrantes. As casas floridas, o castelo e outros elementos do património local têm servido de inspiração para peças que procuram contar a história da cidade através da cerâmica. Mais recentemente, Cristina Reis criou um íman dedicado à Palha de Abrantes, projecto que teve a colaboração do próprio avô e que considera uma das peças mais exigentes e especiais que já produziu.
Do Entroncamento chega a história de Carla Mesquita, 50 anos, que há cerca de uma década se dedica à produção de trabalhos manuais. O gosto por criar com as mãos acompanhou-a desde cedo e acabou por ganhar dimensão comercial por incentivo de familiares e amigos. Entre várias técnicas, é no croché que encontra a sua principal forma de expressão artística. Os amigurumis, pequenos bonecos feitos em croché, ocupam um lugar especial no trabalho de Carla Mesquita. São as peças que mais gosta de executar, mas também as que mais tempo e dedicação exigem. O cuidado colocado em cada ponto ajuda a explicar a procura que estes trabalhos têm junto do público, sobretudo em feiras e certames onde a artesã marca presença.
Apesar da satisfação que retiram do artesanato, Cristina Reis e Carla Mesquita conhecem bem as dificuldades do sector. Carla sublinha que muitas pessoas apreciam o trabalho manual, mas nem sempre valorizam o tempo, a técnica, a dedicação e os custos associados a cada peça. Ainda assim, as duas artesãs continuam a percorrer feiras da região e do país, levando consigo criações únicas, feitas sem pressa e com identidade própria.

Artesanato em destaque nas festas da região

As Festas da Cidade de Abrantes reuniram dezenas de artesãos entre os dias 9 e 14 de Junho. Entre os expositores esteve Cristina Reis, artesã abrantina que utiliza a cerâmica para promover a identidade do concelho através de peças inspiradas em símbolos locais. A Feira do Tejo, em Vila Nova da Barquinha, voltou a afirmar-se como espaço de divulgação do artesanato regional e nacional entre os dias 9 e 13 de Junho. Entre os participantes esteve Carla Mesquita, artesã do Entroncamento que há cerca de dez anos se dedica à produção de peças em croché e outros trabalhos manuais.

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