Mulheres que, no Ribatejo, conquistam espaço na engenharia
No Dia Internacional da Mulher na Engenharia, celebrado a 23 de Junho, três profissionais ligadas ao sector agroalimentar mostram que o talento, a dedicação e a competência não têm género.
Durante vários anos, a engenharia agrícola e agroalimentar foi vista como uma área predominantemente masculina. Hoje, essa realidade está a mudar, com as mulheres a assumirem cada vez mais responsabilidades em sectores fundamentais para a economia da região, em particular o Ribatejo.
Sara Francisco, 26 anos, é engenheira agrónoma na Vititejo, no Cartaxo e encontra-se a frequentar o doutoramento em Sustentabilidade Agroalimentar e Ambiental, depois de terminar um curso técnico superior, a licenciatura em Agronomia e o mestrado em Engenharia Agronómica na Escola Superior Agrária de Santarém. Desde muito pequena que está ligada ao mundo agrícola através da sua família, e encontrou na viticultura a sua verdadeira paixão.
Actualmente, divide os dias entre o acompanhamento com agricultores, projectos de investimento, candidaturas e formação técnica. Sara Francisco reconhece que o sector agrícola foi historicamente associado aos homens, considerando que essa realidade está a tomar outro rumo. “Cada vez mais é inevitável a representatividade das mulheres no sector agrícola”, afirma, destacando a importância da sensibilidade, da dedicação e da capacidade de adaptação que as mulheres trazem à profissão.
Uma enóloga premiada
Um percurso mais longo, mas também marcado pela paixão pelo mundo dos vinhos, é o da engenheira Carmen Santos, de 50 anos. Natural de Alverca, chegou à Escola Superior Agrária de Santarém quase por acaso, depois de não conseguir entrar no curso de Biologia Marinha que ambicionava. O que começou como uma segunda opção transformou-se numa carreira de sucesso. Trabalhou em adegas, especializou-se em enologia, participou em concursos nacionais e internacionais de vinhos e acabou por fundar o seu próprio laboratório de análises enológicas.
Em 2013, com a criação da W | Tejo, foi distinguida como jovem empresária, resultado de um percurso construído com persistência e espírito empreendedor. Para a engenheira, a formação prática recebida em Santarém foi decisiva para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e criar o seu próprio projecto empresarial.
Trocou o curso de Direito pelo de Produção Animal
Joana Pereira, de 31 anos, residente na freguesia de Vale do Paraíso, Azambuja, seguiu um percurso pouco comum até chegar a Engenharia de Produção Animal. Depois de passar por Ciências, Humanidades e até por um ano em Direito, encontrou finalmente a sua vocação na área da produção animal. Trabalhou durante vários anos na gestão de explorações suinícolas, uma função exigente física e emocionalmente, mas que encara com naturalidade.
Apesar de ter trabalhado maioritariamente com homens, garante nunca ter sentido discriminação. “Sempre me senti respeitada e ajudada no que precisei”, refere. Para Joana Pereira, a celebração do Dia Internacional da Mulher na Engenharia serve para recordar que nem sempre as mulheres tiveram as mesmas oportunidades. “É bom relembrar que as mulheres estão cá, firmes e fortes, para levar a engenharia para a frente”, sublinha.
As três engenheiras afirmam que ainda existem desafios a superar, mas acreditam que as novas gerações olham para a profissão de forma diferente. A mensagem que deixam às jovens que ponderam seguir uma carreira na engenharia é simples: escolher aquilo de que realmente gostam e não ter receio de entrar em áreas tradicionalmente associadas aos homens.


