Guardas não desarmam em Vale de Judeus e prolongam greve por mais dois meses
Guardas prisionais mantêm braço-de-ferro por falta de condições de segurança na cadeia de Alcoentre, onde, em 2024, fugiram cinco reclusos. Sindicato diz que muitas promessas continuam por cumprir.
A greve dos guardas prisionais no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, concelho de Azambuja, vai prolongar-se até 31 de Agosto. A paralisação, iniciada a 10 de Março e que terminava na terça-feira, 30 de Junho, mantém-se por decisão do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, que acusa a tutela de não ter resolvido os problemas de segurança que estão na origem do protesto. Em causa continuam a estar falhas apontadas pelos guardas prisionais depois da fuga de cinco reclusos em 2024, entretanto recapturados. Segundo o presidente do sindicato, Frederico Morais, parte das reivindicações apresentadas ainda não teve resposta efectiva, nomeadamente a colocação de novas redes de segurança nos pátios e a construção de duas torres de vigilância, cujo concurso não terá recebido propostas de interessados.
O dirigente sindical refere que também continuam por resolver questões relacionadas com o excesso de actividades consideradas desnecessárias e com a reorganização dos horários de funcionamento do estabelecimento prisional. A greve, garante o sindicato, vai continuar a ser total, embora com serviços mínimos decretados. Na prática, os reclusos ficam sem actividades escolares e laborais, vêem o tempo de pátio reduzido e permanecem nas celas cerca de 22 horas por dia. O número de visitas também foi limitado, passando cada preso a ter apenas uma visita semanal. O sindicato admite ainda impacto nas deslocações de reclusos a consultas médicas e a tribunal. Frederico Morais afirma que, quatro meses depois do início da greve, apenas foram concluídas a iluminação e a limpeza da mata em redor da cadeia. A instalação dos inibidores de sinal electrónico, destinados a bloquear telemóveis e drones, estará quase terminada, mas o sindicato diz que o sistema terá sido mal programado e terá agora de ser novamente configurado. Segundo o dirigente, “as peças estão cá todas”, vindas de Israel, mas o processo terá de ser repetido.
Apesar de o sindicato apontar uma adesão superior a 90%, Vale de Judeus tem continuado a funcionar, ainda que com fortes condicionamentos. A redução dos horários dos reclusos e o desfasamento das idas ao pátio permitem, segundo o sindicato, manter o controlo do estabelecimento com menos guardas, que também têm assegurado vigilância às obras em curso. A Direção-Geral da Administração e do Emprego Público emitiu entretanto parecer sobre os serviços mínimos, mantendo as condições defendidas pelo sindicato, apesar de a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais ter pedido alterações para permitir mais actividades, incluindo visitas íntimas e alterações ao regime de visitas. O sindicato considerou essa pretensão uma violação dos direitos dos trabalhadores.


