Sociedade | 01-07-2026 12:00

Câmara de Alcanena recua e suspende projecto contestado em Minde

Câmara de Alcanena recua e suspende projecto contestado em Minde

Dois meses depois de garantir que a obra avançaria sem alterações, a Câmara de Alcanena decidiu suspender a construção da Casa Estaminé, em Minde, e admite agora uma solução que pode passar pela compra de um terreno contíguo.

A Câmara Municipal de Alcanena aprovou, na reunião de 22 de Junho, a supressão dos trabalhos relativos à construção da Casa Estaminé da empreitada global de reabilitação de vários edifícios habitacionais do concelho. A decisão representa uma inversão de posição do executivo liderado por Rui Anastácio, que há cerca de dois meses tinha defendido que a obra avançaria tal como estava projectada, apesar das críticas levantadas em Minde. O projecto será agora reavaliado no âmbito de um processo participativo que vai decorrer em Julho, em Minde, com a participação de estudantes e professores da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. O objectivo, segundo o presidente da câmara, é discutir o espaço público da vila e encontrar uma solução urbanística mais adequada para a Praça Alberto Guedes.
Rui Anastácio revelou que surgiu entretanto a possibilidade de aquisição de um terreno contíguo ao local da obra, hipótese que poderá permitir “libertar algum espaço do largo” e melhorar a integração do futuro edifício. O autarca sublinhou, no entanto, que existe apenas “um pré-estudo de volumetria” e que a solução final terá de ser trabalhada pelos arquitectos.
A oposição socialista recebeu a mudança de posição com satisfação, mas não deixou de apontar contradições ao executivo. O vereador Samuel Frazão lembrou que a revisão do projecto e a possibilidade de recurso ao terreno contíguo tinham sido defendidas desde o início por moradores e eleitos do PS, sem acolhimento por parte da maioria. “Esta solução do terreno chegou a ser discutida, mas o executivo disse que não havia dinheiro para terrenos e que o projecto estava bem como estava”, afirmou, questionando também se o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, parceiro da operação, já tinha dado parecer favorável à alteração. Rui Anastácio respondeu que qualquer alteração terá de “ser alvo de negociação” e defendeu que a futura solução não deve deixar expostas paredes cegas voltadas para a praça, devendo garantir o fecho do quarteirão.
A construção da Casa Estaminé, na Praça Alberto Guedes, motivou forte contestação em Minde, com moradores a criticarem a localização e o desenho do edifício, por entenderem que a intervenção descaracterizava a praça mais antiga da vila e comprometia a sua valorização futura. O projecto, avaliado em mais de 400 mil euros, previa a construção de um edifício de três pisos no local onde existia um imóvel degradado entretanto demolido.

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