Sociedade | 01-07-2026 20:02

Mitsubishi Fuso pára produção no Tramagal e coloca 267 trabalhadores em lay-off

Mitsubishi Fuso pára produção no Tramagal e coloca 267 trabalhadores em lay-off

Fábrica suspende actividade durante Julho, depois da saída de trabalhadores temporários e enquanto decorre um programa de rescisões voluntárias. Empresa fala em crise temporária e garante que quer salvaguardar a viabilidade da unidade.

A Mitsubishi Fuso suspendeu na quarta-feira, 1 de Julho, a produção na fábrica do Tramagal, no concelho de Abrantes, e colocou 267 trabalhadores em regime de lay-off durante todo o mês. A decisão surge num contexto de reestruturação da unidade industrial, pressionada pela transição do sector automóvel para veículos de zero emissões, pelas novas regras europeias e pela reorganização interna do grupo. A medida abrange a suspensão de contratos de trabalho e a redução dos períodos normais de trabalho dos trabalhadores envolvidos. Na comunicação enviada aos funcionários, a administração justifica a decisão com a necessidade de reduzir custos, assegurar a sustentabilidade económico-financeira da fábrica e garantir a sua viabilidade futura, procurando, ao mesmo tempo, preservar os postos de trabalho.
A paragem de produção em Julho antecede o encerramento habitual da fábrica para férias, em Agosto, o que significa que a unidade industrial do Tramagal ficará praticamente sem actividade produtiva durante dois meses. Antes desta suspensão, entre 25 e 30 trabalhadores temporários tinham já terminado contrato a 30 de Junho, deixando de prestar funções na fábrica. Em paralelo, continua aberto um programa de saídas voluntárias, com a empresa a prever celebrar, até ao final de Julho, acordos para a saída de cerca de 40 trabalhadores efectivos. O cenário acentua a preocupação sindical em torno do futuro de uma fábrica que tem um peso histórico, económico e social relevante no concelho de Abrantes e na região.
Na comunicação interna, a administração enquadra o lay-off numa “crise empresarial temporária”, resultante de alterações legais e estruturais profundas no sector automóvel e no grupo empresarial. Para a empresa, o recurso ao lay-off é uma medida “adequada, necessária e proporcional” para atravessar um período de transição considerado exigente. A fábrica do Tramagal está a passar por uma reorganização associada à evolução da gama de veículos produzidos. Uma das alterações mais significativas prende-se com o fim da produção, para o mercado europeu, das versões da Canter a gasóleo até 3.500 quilos. A unidade manterá, no entanto, a produção dos modelos de maior dimensão e da versão eléctrica eCanter. Segundo a Mitsubishi Fuso, a reorganização resulta da adaptação ao novo modelo europeu de encomendas e distribuição e da evolução do mercado automóvel, marcado pela pressão da descarbonização, pela electrificação e por novas exigências regulamentares. A empresa sustenta que a unidade do Tramagal continua integrada na rede industrial internacional do grupo e assegura que, nesta fase, não estão previstas outras reduções estruturais além das medidas agora implementadas.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas tem manifestado preocupação com o futuro da unidade industrial. Para a estrutura sindical, a redução da produção não pode ser dissociada da reorganização do grupo nem das mudanças em curso na indústria automóvel europeia, que têm impacto directo no volume de trabalho e na estabilidade dos trabalhadores.

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