Aterro de Mato da Cruz já tem plano de encerramento aprovado mas vai continuar activo
Valorsul quer manter o problemático aterro sanitário de Mato da Cruz em funcionamento apesar da licença ambiental ter expirado na última semana. Decisão quanto ao prolongamento da licença está nas mãos da Agência Portuguesa do Ambiente. São más notícias para a população de Alverca, que há décadas sofre com os impactos daquele aterro.
A licença ambiental do aterro sanitário de Mato da Cruz, explorado pela Valorsul na Calhandriz, Alverca, expirou a 27 de Junho mas a empresa quer mantê-lo em funcionamento durante mais tempo e até já pediu autorização para isso à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo.
O aterro, informa a CCDR a O MIRANTE, possui em exploração as células 1, 2 e 3 de resíduos urbanos, encontrando-se em curso “um processo para a reengenharia da célula 2”, para que continue a operar para lá da actual licença ambiental, tendo para isso a Valorsul já solicitado um procedimento integrado de licenciamento, segundo aquele organismo. A Valorsul, contactada por O MIRANTE, foi parca em explicações sobre o assunto, limitando-se a confirmar que o procedimento de licenciamento ambiental ainda se encontra em curso, “mantendo-se válida a licença de exploração até que se conclua o procedimento”.
São más notícias para a comunidade de Alverca que há décadas sofre com impactos negativos daquele aterro sanitário – e para o qual continua a não existir uma localização alternativa. A Câmara de Vila Franca de Xira já tinha aprovado por unanimidade uma moção a exigir que o aterro terminasse toda a sua operação em 2026, o que, já se sabe, não irá acontecer.
Plano de encerramento e selagem aprovado
A O MIRANTE, a CCDR explica que o aterro de Mato da Cruz é constituído por seis células, sendo que uma delas corresponde à antiga lixeira de Vila Franca de Xira, já encerrada. Para as restantes células foi apresentado um plano de encerramento e selagem, aprovado pela CCDR a 11 de Março de 2026 com parecer favorável vinculativo da Agência Portuguesa do Ambiente.
A Valorsul explicava que após essa aprovação seria iniciado o processo de consulta e contratação das empreitadas de selagem faseada das células do aterro, incluindo a requalificação paisagística, que a empresa descreve como a última fase do processo de encerramento. No entanto, de Março até ao dia de hoje de nada se sabe. “A Valorsul deve apresentar, no prazo máximo de 90 dias após a conclusão do encerramento do aterro, um relatório relativo à conclusão da implementação do plano de encerramento aprovado”, acrescenta a CCDR.


