Sociedade | 04-07-2026 12:00

Estrangeiros salvam do declínio demográfico municípios do Médio Tejo, Lezíria, Oeste e norte de Lisboa

Estrangeiros salvam do declínio demográfico municípios do Médio Tejo, Lezíria, Oeste e norte de Lisboa
Região está envelhecida e são os estrangeiros que ajudam a equilibrar a balança social - foto arquivo O MIRANTE

A chegada de novos residentes estrangeiros, na sua maioria homens em idade activa, está a reconfigurar a demografia das sub-regiões do distrito de Santarém e dos municípios vizinhos de Azambuja, Vila Franca de Xira, Alenquer e Arruda dos Vinhos, estancando a perda de habitantes e alterando a própria estrutura de género destes territórios. A diferença entre a população masculina e feminina está a diminuir como nunca se viu e também se nota uma atenuação no envelhecimento da população, que mesmo assim ainda tem um forte peso neste território da área de influência de O MIRANTE constituído por 25 concelhos.

As regiões do Médio Tejo, da Lezíria do Tejo e os municípios vizinhos de Vila Franca de Xira, Alenquer, Azambuja e Arruda dos Vinhos estão a registar um crescimento populacional contínuo que contraria a tendência histórica de desertificação do interior e envelhecimento do país. Contudo, os dados oficiais revelam que este fôlego não se deve à natalidade, mas sim a uma forte dinâmica migratória. Entre 2021 e 2025, a fixação de novos residentes estrangeiros compensou o saldo natural negativo e alterou de forma visível a proporção de homens e mulheres na região.
A sub-região da Lezíria do Tejo continua a ser a mais populosa deste bloco, atingindo os 265.049 residentes em 2025, o que representa um acréscimo de 23.984 pessoas face a 2021. Deste crescimento, uns impressionantes 85,9% deveram-se directamente ao aumento da população estrangeira, que saltou de 14.845 para 35.443 pessoas em quatro anos. O cenário é ainda mais extremo no Médio Tejo, que cresceu para 227.067 habitantes em 2025 (mais 15.836 do que em 2021), mas a população estrangeira residente quase triplicou, passando de 8.245 para 25.290 pessoas, um aumento líquido de 17.045 imigrantes. Isto significa que o crescimento de cidadãos estrangeiros superou o próprio crescimento populacional total da região, compensando uma perda real de população de nacionalidade portuguesa.
Fora destas duas sub-regiões, os municípios vizinhos acompanham de perto esta tendência de atracção. Vila Franca de Xira continua a ser o gigante demográfico da zona de influência, somando 152.007 habitantes em 2025. Embora pertença à Grande Lisboa, possui individualmente uma população que equivale a mais de metade de toda a sub-região do Médio Tejo e a 57% da Lezíria do Tejo. A população estrangeira no concelho mais do que duplicou, passando de 10.426 (em 2021) para 22.570 (em 2025), representando já 14,8% do total de residentes.
Logo ao lado, Alenquer registou um crescimento global para 50.718 residentes em 2025, sendo que o aumento de 4.163 estrangeiros (que passaram a somar 8.057) foi responsável por 78,9% de todo o crescimento populacional do município. Em Azambuja, que atingiu os 22.755 habitantes em 2025, a imigração foi o motor de 87,9% deste crescimento, com a comunidade estrangeira a quase duplicar para as 3.025 pessoas. Já Arruda dos Vinhos, o mais pequeno dos concelhos, com 16.018 residentes em 2025, foi aquele onde a população nacional teve maior papel no crescimento, embora os estrangeiros tenham aumentado para 1.599 pessoas, representando agora 10% da população local.

Quase não há diferença entre número de homens e mulheres,
mas envelhecimento ainda é pesado

Historicamente, a população portuguesa caracteriza-se por apresentar um maior volume de mulheres do que de homens. Mas o perfil da imigração que se fixou nestes territórios entre 2021 e 2025 — fortemente focado em homens em idade activa — está a reconfigurar a demografia local. Na Lezíria do Tejo, em 2021, havia mais 8.015 mulheres do que homens. Em 2025, essa diferença quase desapareceu, fixando-se em apenas 775 mulheres de diferença. O fenómeno explica-se pelo facto de, dos 35.443 estrangeiros residentes na Lezíria em 2025, 22.123 serem homens (62,4%) e apenas 13.320 serem mulheres.
O mesmo padrão repete-se noutros concelhos. Em Vila Franca de Xira, a população estrangeira masculina em 2025 fixou-se em 12.464 homens face a 10.106 mulheres. em Alenquer, são 4.462 homens estrangeiros para 3.595 mulheres; e, em Azambuja, registam-se 1.671 homens para 1.354 mulheres de nacionalidade estrangeira.
Apesar do balão de oxigénio trazido pelos novos residentes em idade activa, o envelhecimento da população residente continua a ser um desafio estrutural pesado. Em Vila Franca de Xira, a população idosa (com 65 ou mais anos) totaliza 29.139 pessoas, superando significativamente os 21.083 jovens (dos 0 aos 14 anos).
Em Alenquer, existem 9.690 idosos para 7.266 jovens e, em Azambuja, a proporção é ainda mais desequilibrada, com 5.181 idosos para apenas 3.025 jovens. Embora a chegada de imigrantes em idade activa atenue a pressão imediata sobre o mercado de trabalho e a sustentabilidade local, a base geracional nacional continua a estreitar-se, tornando estes territórios altamente dependentes da capacidade contínua de atracção de fluxos migratórios para manterem as suas forças vivas.

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