Sociedade | 04-07-2026 18:00

Falta de médicos agrava-se em Alcanena e município procura novas respostas

Falta de médicos agrava-se em Alcanena e município procura novas respostas

Vereadora da Saúde admite dificuldades na fixação de médicos e revela que o pediatra vai também deixar funções no final do mês. Contudo, o município pretende reforçar a equipa na área da obstetrícia, psicologia, terapia da fala e outras especialidades.

A falta de médicos no Centro de Saúde de Alcanena esteve em debate na reunião de câmara de 22 de Junho, com o vereador Samuel Frazão (PS) a alertar para a crescente dificuldade dos utentes em conseguir consultas e para a degradação da resposta dos cuidados de saúde no concelho. A vereadora com o pelouro da Saúde, Clara Batista, reconheceu os problemas, mas salientou que a contratação de médicos não depende da autarquia.
“Há menos um médico, há muita dificuldade na marcação de consultas e, quando elas existem, muitas são por teleconsulta. Parece-me que o estado da saúde tem estado pior”, afirmou Samuel Frazão, questionando o que o município está a fazer para inverter a situação. Em resposta, Clara Batista revelou que o concelho perdeu recentemente vários profissionais. A autarca explicou que uma médica contratada ao abrigo do projecto Bata Branca deixou funções por motivos de saúde e que o pediatra também cessará funções no final de Junho. “Falei com a médica e ela manifestou cansaço, depois de um ano e meio a trabalhar com o centro de saúde em obras, mas não excluiu a possibilidade de regressar depois de uma pausa”, afirmou. Acrescentou ainda que outras duas médicas integradas no mesmo projecto também deixaram de assegurar a resposta prevista, uma por rescisão e outra por motivos de saúde.
Para tentar inverter a situação, a vereadora afirma que se está a preparar, em articulação com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, um conjunto de novas valências no Centro de Saúde, incluindo um reforço na obstetrícia para acompanhar as cerca de 60 grávidas que o concelho tem neste momento, bem como serviços de psicologia, terapia da fala e um técnico de desporto para promoção da mobilidade dos seniores. “Isto tudo para criar uma equipa, como factor apelativo, para jovens médicos sentirem que não têm que aguardar meses para terem apoio num hospital ou para uma consulta de fisioterapia ou para apoio de terapia da fala, pois já não é só o valor monetário que não está a ser estimulante para a fixação de médicos”, explicou.
A vereadora adiantou ainda que, caso até Julho não seja possível iniciar o processo de contratação de um médico de medicina geral e familiar, o município pretende reunir com a ULS para estudar a criação de uma Unidade de Saúde Familiar Modelo C, considerando que esse modelo poderá tornar Alcanena mais atractiva para novos profissionais.
Também o presidente da câmara, Rui Anastácio, recordou que a gestão dos centros de saúde não é uma competência municipal, mas destacou o investimento realizado pela autarquia na reabilitação dos edifícios de Alcanena e Minde. “Temos que estar atentos, ser persistentes e acabámos por assumir a reabilitação dos dois edifícios. Isso não resolve, mas pode ajudar”, afirmou, sendo as obras financiadas pelo PRR.
Samuel Frazão reconheceu que a saúde “não é uma pasta fácil” e elogiou o empenho da vereadora, mas alertou que “nunca tivemos tão poucos médicos nos últimos anos em Alcanena”, sublinhando que até a obtenção de uma receita médica ou de um atestado se tornou mais difícil para muitos utentes.

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