Classificação do Colete Encarnado como património imaterial continua na gaveta
Há cinco anos que o processo de classificação da festa do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira se arrasta. Da consulta pública realizada em 2023 nunca mais se soube nada e a entidade que sucedeu à Direcção-Geral do Património Cultura entretanto extinta, também não dá explicações sobre o assunto.
Vila Franca de Xira e os ribatejanos continuam, até ao dia de hoje, à espera de uma resposta da entidade que sucedeu à Direcção-Geral do Património Cultural, extinta no final de 2023, sobre a candidatura feita há cinco anos para inscrição da festa do Colete Encarnado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O processo continua sem qualquer evolução e aparenta estar em banho-maria.
A consulta pública do processo esteve aberta durante 30 dias em Junho de 2023 mas, até hoje, pouco ou nada se soube sobre o assunto. Sabe-se que além de muitas manifestações de apoio da comunidade ribatejana e aficionada também responderam algumas associações ambientalistas e de protecção dos direitos dos animais, que se mostraram contra a classificação do Colete Encarnado como património imaterial. Evocaram sobretudo as esperas de toiros nas ruas como factores de alegada perigosidade para as crianças. O presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira (PS), já disse anteriormente estar “muito seguro” da candidatura apresentada pelo município e ter esperança de que essa classificação chegue a tempo da celebração do centenário da festa, que este ano cumpre a sua 94ª edição. “É uma festa que ganhou o prémio das 7 Maravilhas da Cultura Popular e o prémio 5 Estrelas para eventos desta natureza. Mantemos a esperança”, já havia dito o autarca.
A candidatura, recorde-se, foi submetida a 21 de Abril de 2021 à já extinta DGPC, culminando um trabalho iniciado em 2018, ainda no mandato de Alberto Mesquita como presidente da câmara, com o levantamento, catalogação e selecção da documentação a seguir para a candidatura. Se a candidatura for aprovada, o Colete Encarnado passa a estar inscrito no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial, condição fundamental para uma eventual candidatura a Património Imaterial da UNESCO.
Quase um século de história
As festas do Colete Encarnado tiveram a sua primeira edição em 1932, mantendo até hoje o seu principal objectivo, de prestar homenagem à figura do campino. Ao longo de quase um século, o evento foi crescendo e afirmando a vivência de Vila Franca de Xira e do concelho, trazendo o campo à cidade numa simbiose que marca a cultura local e que faz, a cada ano, reviver as tradições seculares do povo.


