Sociedade | 05-07-2026 07:00

Governo avança com açude no Tejo sem responder às críticas de autarcas e população

Governo avança com açude no Tejo sem responder às críticas de autarcas e população

Movimento ambientalista diz que a Estratégia Nacional “Água Que Une” mantém o essencial do projecto previsto entre Constância e Praia do Ribatejo e exige a suspensão do processo até haver avaliação ambiental completa e respostas formais sobre os impactos.

O movimento proTEJO acusa o Governo de ter aprovado a Estratégia Nacional “Água Que Une” sem responder às críticas e objecções levantadas ao projecto do açude previsto no rio Tejo, entre Constância e a Praia do Ribatejo, no concelho de Vila Nova da Barquinha. A associação, que tem sede em Vila Nova da Barquinha, volta a exigir a suspensão do processo e reclama transparência na avaliação dos impactos ambientais, patrimoniais e socioeconómicos da infraestrutura. Em comunicado, o Movimento pelo Tejo – proTEJO afirma que passaram mais de 17 meses desde a entrega do primeiro parecer de discordância e que, apesar disso, “o Governo aprovou a Estratégia sem alterar o essencial do projecto e sem responder, até hoje, a nenhuma das questões colocadas”. Para o movimento, a aprovação da versão final da Estratégia Nacional “Água Que Une”, publicada em Diário da República a 24 de Junho, confirma que as reservas colocadas pela região foram ignoradas.
A estratégia aprovada pelo Governo prevê cerca de 294 medidas e um investimento global próximo dos cinco mil milhões de euros, incluindo novas infraestruturas hidráulicas para reforçar a disponibilidade de água. Entre esses investimentos está o Projecto de Valorização Agrícola dos Recursos Hídricos do Vale do Tejo e Oeste, com um valor indicativo de 1.350 milhões de euros. O proTEJO critica, contudo, que a versão final continue sem identificar expressamente o açude previsto para a zona de Constância Norte, junto à Praia do Ribatejo, apesar de a infraestrutura constar dos documentos técnicos associados ao projecto. Uma das principais críticas do movimento prende-se com a ausência de publicação do relatório de ponderação da consulta pública do estudo, encerrada em Fevereiro de 2025. Para o proTEJO, essa omissão impede a região de conhecer de que forma foram analisadas as posições apresentadas por autarquias, associações, empresários e cidadãos que se manifestaram contra a construção do açude.
O projecto do novo açude no Tejo, entre Constância e Praia do Ribatejo, é contestado desde 2025 pelo movimento ambientalista, que considera que a infraestrutura pode provocar impactos ecológicos, patrimoniais e socioeconómicos relevantes na região. A contestação tem sido acompanhada por autarquias do Médio Tejo, empresários, dirigentes associativos e organizações ambientalistas, que defendem que uma obra desta dimensão não pode avançar sem estudos completos, debate público esclarecido e garantias sobre o futuro do rio.

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