Sociedade | 05-07-2026 14:54

Passageiros da região pagam a factura da falta de manutenção nos comboios da CP

Passageiros da região pagam a factura da falta de manutenção nos comboios da CP

Troço Santarém-Entroncamento tem sido apontado como o mais crítico da rede ferroviária nacional em dias de calor extremo. Supressão de comboios, falhas no ar condicionado e frota envelhecida voltam a penalizar milhares de utentes que dependem diariamente da ferrovia na região.

A onda de calor que atravessa o país voltou a expor uma fragilidade da ferrovia portuguesa e colocou o Ribatejo no centro do problema. Segundo o jornal Público, o troço da Linha do Norte entre Santarém e o Entroncamento é considerado o mais quente de toda a rede ferroviária nacional, tornando-se particularmente sensível em períodos de temperaturas extremas. Neste fim-de-semana, a CP suprimiu 12 comboios devido a constrangimentos relacionados com falhas no ar condicionado e dificuldades na manutenção do material circulante.
Numa região onde a ferrovia continua a ser essencial para estudantes, trabalhadores, famílias e empresas, os problemas sentidos são um factor de isolamento, de perda de confiança no transporte público e de penalização para quem não tem alternativa ao comboio. Entre Santarém, Cartaxo, Entroncamento, Tomar, Abrantes e os restantes concelhos servidos directa ou indirectamente pela rede ferroviária, cada supressão ou atraso tem impacto na vida de quem se desloca diariamente. A situação ganha maior gravidade porque surge num território que é, simultaneamente, corredor ferroviário nacional e zona de temperaturas elevadas. A Linha do Norte atravessa o Ribatejo e liga o país, mas é também neste eixo que o calor mais pressiona as composições, sobretudo quando o material circulante apresenta sinais de envelhecimento e os sistemas de climatização não respondem como deveriam.
De acordo com notícia do Público, a CP tem vindo a concentrar esforços na reparação de avarias, em vez de conseguir garantir uma manutenção preventiva eficaz. O jornal refere ainda que uma parte significativa das carruagens de longo curso se encontra parada em oficinas, aguardando reparação ou manutenção obrigatória. A consequência é conhecida dos passageiros: comboios com menos carruagens, atrasos à partida, alterações de última hora e maior pressão sobre composições já sobrelotadas. O problema não atinge toda a frota da mesma forma. As carruagens mais antigas dos Intercidades, nomeadamente as Corail e as ARCO, são apontadas como as mais vulneráveis aos problemas de climatização. Já os comboios Alfa Pendular terão apresentado menos dificuldades nesta vaga de calor. Ainda assim, para os utentes ribatejanos, a distinção pouco resolve quando a ligação falha, atrasa ou circula em condições difíceis. Especialistas citados pelo jornal defendem que, em vez de suprimir comboios, poderiam ter sido adoptadas medidas alternativas, como reduzir a lotação das carruagens nas horas de maior calor ou ligar mais cedo os sistemas de ar condicionado antes da entrada dos passageiros. Essas soluções, porém, exigem planeamento, material disponível e capacidade operacional, precisamente os pontos que a situação actual parece pôr em causa
A CP garante que realiza as manutenções periódicas do material circulante, incluindo dos sistemas de climatização, e reconhece que algumas séries de comboios têm limitações face aos actuais padrões de conforto.

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