Sociedade | 08-07-2026 07:00

Requalificação da EN118 entre Benavente e Alcochete só deve avançar em 2027

Requalificação da EN118 entre Benavente e Alcochete só deve avançar em 2027
Troço de 47km encontra-se degradado em vários pontos, em grande parte devido ao tráfego intenso de pesados - foto O MIRANTE

A Infraestruturas de Portugal mantém o perfil de 2x1 vias, com faixas alternadas para veículos lentos, e promete intervenções pontuais no pavimento, drenagem e sinalização enquanto não avança a empreitada principal, com um orçamento da ordem dos 35 milhões de euros.

A requalificação da Estrada Nacional (EN) 118 entre Alcochete e Benavente deve ser lançada apenas em 2027 e já tem um investimento previsto de 35 milhões de euros, valor bastante acima dos mais de 12 milhões de euros inicialmente apontados pela Infraestruturas de Portugal (IP). A empresa pública justifica a actualização com a evolução dos preços de mercado e com os ajustes decorrentes da caracterização mais detalhada das condições existentes.
A informação foi avançada pela IP em resposta a questões colocadas por O MIRANTE sobre o ponto de situação da intervenção há muito reclamada por autarcas e utilizadores, sobretudo devido ao estado de degradação do piso em alguns troços, à intensidade do tráfego e à passagem diária de milhares de veículos.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira (PSD), já tinha indicado que a empreitada só deverá arrancar em Janeiro de 2027, lamentando o desgaste crescente das infraestruturas rodoviárias. “Temos insistido bastante com a IP para a reparação destas infraestruturas que todos sabemos que estão sobrecarregadas. Passam milhares de carros e cada dia que passa vão ficando mais deterioradas”, afirmou a autarca, defendendo, por isso, que é necessária “uma reparação mais ligeira” até que seja possível avançar com “uma grande reparação”, manifestando a expectativa de que a obra se inicie em Janeiro de 2027.
Questionada por O MIRANTE sobre se confirma esse calendário, a Infraestruturas de Portugal respondeu que “o lançamento da empreitada deverá ocorrer em 2027”. A empresa pública explica que o projecto “encontra-se em desenvolvimento”, tendo sido feita uma reavaliação do respectivo objecto para acomodar a análise dos potenciais efeitos decorrentes da construção do novo Aeroporto de Lisboa e das infraestruturas associadas.
Segundo a IP, foram analisados eventuais impactos sobre o traçado em estudo, incluindo possíveis alterações da procura, interferências com corredores de transporte previstos e necessidades acrescidas de capacidade ou de adaptação funcional da via. Ainda assim, a empresa concluiu que os impactos identificados “não justificavam alterações ao objecto inicial da intervenção”, tendo sido possível manter a solução de base.
A intervenção mantém, por isso, o perfil transversal inicialmente previsto de 2x1 vias, com introdução alternada de vias para lentos. A IP sustenta que esta solução permite assegurar níveis adequados de serviço, segurança e fluidez de circulação, garantindo simultaneamente flexibilidade operacional face a eventuais evoluções futuras do contexto territorial e da mobilidade. Até ao arranque da empreitada principal, estão previstas obras de menor dimensão.
Questionada sobre o estado de degradação do piso no troço entre a zona da Vendap e a fábrica da Sugal, a Infraestruturas de Portugal refere que está prevista, durante 2026 e 2027, a melhoria do sistema de drenagem, apontado como “elemento determinante” para a resolução das patologias actualmente verificadas. Além da drenagem, a IP anuncia a reparação pontual do pavimento e o reforço dos equipamentos de sinalização, medidas que deverão servir para mitigar os problemas existentes até à concretização da intervenção de fundo.

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