Sociedade | 08-07-2026 11:10
Pescadores apanham siluro de 60 quilos nas águas do Tejo em Ortiga
Dois pescadores capturaram um siluro com cerca de dois metros de comprimento e mais de 60 quilos junto à praia fluvial de Ortiga, no concelho de Mação. O exemplar impressiona pelo tamanho, mas é também mais um sinal de alerta sobre a expansão desta espécie invasora no rio Tejo.
Um siluro com dois metros de comprimento e mais de 60 quilos foi capturado no rio Tejo, na zona de Ortiga, concelho de Mação, por dois pescadores da região. O exemplar, apanhado por Luís Lopes e H. Silva, pescador tomarense, está entre os maiores registados naquela zona do Tejo e voltou a despertar curiosidade nas redes sociais. A captura aconteceu perto da barragem de Belver, numa zona onde têm sido registados vários exemplares de grande porte. H. Silva, que já tem outras capturas de siluros gigantes no currículo, tem desenvolvido com Luís Lopes o projecto Tejocat, ligado ao turismo piscatório, aproveitando o crescente interesse que estes peixes despertam entre pescadores desportivos.
Recorde-se que recentemente O MIRANTE noticiou que uma operação de remoção realizada no Tejo, junto à barragem de Belver, permitiu retirar 254 siluros, num total de 2,3 toneladas desta espécie invasora. O resultado, sublinhado por investigadores, mostra a escala que o fenómeno atingiu naquela zona do rio. Também em Junho, O MIRANTE deu conta de que a invasão de siluros em Mação está a ganhar contornos alarmantes. Originário da Europa de Leste, o siluro é um predador de topo, sem inimigos naturais relevantes nos ecossistemas portugueses, com elevada capacidade reprodutiva e impacto directo sobre espécies como a enguia-europeia, o sável, a lampreia e os barbos.
O tema já vinha a ser acompanhado pelo nosso jornal, que em Fevereiro noticiou o projecto europeu Life-Predator, criado para combater a expansão do siluro em Portugal, Itália e Chéquia. Na bacia do Tejo, as monitorizações abrangeram várias albufeiras, incluindo Belver, Fratel e Pracana, e revelaram valores preocupantes da presença da espécie. Em Belver, segundo dados divulgados no âmbito do projecto, o siluro chegou a representar 93% da biomassa piscícola capturada. A presença destes “gigantes de água doce” divide opiniões. Para uns, são troféus de pesca capazes de atrair praticantes e dinamizar actividades ligadas ao rio. Para outros, são a face mais visível de um desequilíbrio ecológico que ameaça a biodiversidade e a memória piscatória do Tejo.
Mais Notícias
A carregar...


