Sociedade | 10-07-2026 15:52

Condições “sufocantes” obrigam a fechar USF de Alverca do Ribatejo

Condições “sufocantes” obrigam a fechar USF de Alverca do Ribatejo

Problema já tinha sido alvo de queixas de utentes e profissionais a O MIRANTE e com a vaga de calor o problema agravou-se e quem lá trabalhava viu-se obrigado a fechar portas. Comissão de utentes critica a situação.

Devido às temperaturas extremas registadas nos últimos dias e a inexistência de um sistema de climatização capaz de arrefecer as instalações, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho, de Alverca, encerrou temporariamente para assegurar a segurança e o bem-estar dos profissionais e utentes. A mensagem constava num aviso colocado à porta da unidade de saúde, assinada pela coordenação da USF, dizendo que aguardava a reparação do sistema para “retomar a normalidade de funcionamento o mais brevemente possível”. A situação já veio merecer críticas das comissões de utentes do concelho de Vila Franca de Xira, que manifestaram na quinta-feira, 9 de Julho, o seu “repúdio e preocupação” com o encerramento da USF Gago Coutinho, gerida pela Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, liderada por Nuno Cardoso.
Em carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde e à coordenação da USF Gago Coutinho, os utentes consideram que o encerramento da unidade ocorre “numa altura de temperaturas extremas” e afecta uma população que necessita de cuidados de saúde de proximidade.
Segundo a carta, a avaria do sistema de climatização tornou “insuportável a permanência no edifício”, impedindo os profissionais de saúde de exercerem funções em condições de segurança e colocando em risco a saúde dos utentes, entre os quais idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas.
As comissões de utentes classificam a situação como incompreensível e sustentam que a falta de manutenção das instalações não pode impedir o acesso aos cuidados de saúde primários, considerando que o problema representa não apenas uma falha técnica mas também falta de respeito pelos utentes.
No texto, é recordado que a responsabilidade pela manutenção e conservação dos edifícios dos centros de saúde do concelho passou em 2024 para a Câmara de Vila Franca de Xira, no âmbito do processo de descentralização de competências.
Os utentes referem que essa transferência foi contestada na altura pelas próprias estruturas representativas dos utentes e pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).
Ainda assim, defendem que tanto a ULS Estuário do Tejo como a coordenação da USF Gago Coutinho devem exigir, “com a máxima urgência e firmeza institucional”, as condições necessárias para garantir o funcionamento da unidade.

* Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE

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