Contestado eventual regresso das largadas de toiros à Rua Direita em Coruche
Cidadão alertou, em reunião de câmara, para os constrangimentos que as actividades taurinas em Coruche poderão causar a residentes, comerciantes e entidades instaladas no centro da vila.
A possibilidade das actividades tauromáquicas das Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo voltarem a abranger a Rua Direita e a zona do Largo de Santo António, em Coruche, motivou a contestação de um morador em reunião de câmara. Daniel Aldeano, residente no centro da vila e presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Coruche, com sede na Rua Direita, interveio a propósito do ponto relativo à cedência e autorização de utilização de espaço público, concessão de espaços públicos a terceiros, isenção de taxas administrativas e autorização de corte de vias públicas à comissão de festas.
O morador disse ter ficado com a percepção de que a proposta previa cortes de ruas para actividades tauromáquicas até ao Largo de Santo António e manifestou descontentamento com os impactos que a medida poderá provocar em quem vive, trabalha ou presta serviços naquela zona.
Daniel Aldeano sublinhou que a sua preocupação não é o corte da rua em si, mas a limitação da liberdade de circulação de moradores, comerciantes e entidades instaladas nas artérias abrangidas. “Estamos a barricar pessoas, moradores e negócios”, afirmou, considerando que a situação contrasta com o objectivo das festas, de atrair pessoas e dinamizar o comércio local.
O dirigente associativo questionou como poderão os moradores entrar e sair das habitações durante as três ou quatro horas em que decorreram as actividades, dando como exemplo vizinhos com carrinhos de bebé ou situações de emergência. No seu caso, acrescentou, a associação que dirige tem necessidade de entrar e sair regularmente com animais.
Daniel Aldeano referiu ainda ter ouvido, de forma informal, que existiria um abaixo-assinado com cerca de 120 assinaturas favoráveis, mas disse desconhecer se os subscritores residem nas ruas abrangidas. Garantiu que moradores da Rua Direita e pessoas com lojas e estabelecimentos abertos naquela zona não querem ali as largadas.
O morador defendeu que a Câmara de Coruche tente encontrar, com a comissão de festas, uma alternativa, lembrando que durante vários anos as largadas de toiros não se realizaram “dos Paços do Concelho para baixo”. Caso tal não aconteça, admitiu que possam ser accionados mecanismos legais.
Autarquia está a avaliar
O presidente da câmara, Nuno Azevedo (PS), afirmou que “ainda não é certo” que as actividades taurinas decorram naquela zona, uma vez que a Rua Direita sofreu alterações com a intervenção de requalificação ali realizada. Segundo o autarca, desapareceram os locais que estavam anteriormente definidos para a colocação de tronqueiras e de protecções junto de habitações e estabelecimentos, pelo que a autarquia está a avaliar se existem condições logísticas para a realização das largadas naquele espaço.
Nuno Azevedo disse não ter conhecimento de qualquer abaixo-assinado e reconheceu que as festas têm impacto na vida da vila, nomeadamente pelo ruído, movimento e comportamentos menos adequados, defendendo que esses incómodos devem ser minimizados. Acrescentou que as questões de socorro estão “salvaguardadas”, afirmando que existem formas de retirar os animais caso seja necessária a entrada de uma ambulância ou a intervenção de equipas de emergência. “Não é garantido que ali decorram as largadas”, reiterou o autarca, remetendo uma decisão final para a avaliação das condições existentes no local.


