Sociedade | 12-07-2026 12:00

Santos e Vale foi à reunião de Câmara de Alenquer dar a cara após meses em silêncio

Santos e Vale foi à reunião de Câmara de Alenquer dar a cara após meses em silêncio

Depois de meses sem responder às queixas dos moradores da Passinha e aos pedidos de esclarecimento de O MIRANTE, a empresa de logística Santos e Vale pronunciou-se pela primeira vez sobre o problema do trânsito de camiões que perturba o descanso nocturno. A empresa admite ajudar a pagar uma via alternativa e contesta o número de camiões apontado pela população.

Depois de meses sem dar a cara, a empresa de logística Santos e Vale, cuja actividade nocturna tem dado cabo do descanso dos moradores da Passinha, diz estar disponível para ajudar a pagar a construção de uma via alternativa de acesso à empresa, infraestrutura localizada na Quinta da Telhada e já anunciada pela Câmara de Alenquer.
A intenção foi divulgada João Raimundo, que se identificou como representante da empresa, no período destinado ao público, em reunião do executivo municipal, onde disse ser mentira que passem três centenas de camiões na Rua dos Bons Amigos, na Passinha, durante a noite, contrariando as contagens de viaturas pesadas efectuadas pelos próprios moradores.
João Raimundo recordou também que o centro logístico foi licenciado pelo município, que, à época, nunca levantou questões em relação ao estudo de tráfego. “O estudo foi elaborado em 2016 e a realidade do mercado alterou-se. Ao fim de uma década existem diferenças entre o previsto em 2016 e a realidade actual. Não se tratou de uma conduta omissiva ou fraudulenta da empresa. Adoptámos medidas de mitigação com acções de formação dos motoristas, regras internas de circulação nas zonas habitadas e organização de horários”, defendeu o representante. Acrescentou ainda que a situação actual não foi criada pela Santos e Vale, uma vez que o município licenciou os empreendimentos e impôs como condição o acesso hoje em uso. Sobre a estrada alternativa, o representante vincou ainda que está projectada pela câmara desde Outubro de 2020, data em que o assunto foi abordado em reunião do executivo municipal.
A Santos e Vale nunca respondeu a O MIRANTE sobre as queixas dos moradores da Passinha nem sobre a posição da própria empresa. Na reunião, João Raimundo propôs que a autarquia não interdite a passagem de camiões durante a noite, mas permita a circulação de 50 a 60 viaturas; apoiar as medidas já anunciadas pela câmara; e criar um grupo de trabalho para acompanhar o assunto e a construção da nova via alternativa.

Aprovada abertura de caminho provisório

Na mesma reunião foi aprovada, com a abstenção do executivo do PS, a proposta de abertura imediata de um caminho vicinal no terreno municipal adquirido para a instalação da futura via, como solução urgente para o desvio do trânsito da Passinha. A proposta foi apresentada pelos vereadores do PSD, Francisco Guerra e Filipe Rogeiro, pelo vereador do Chega, Carlos Sequeira, e pelo autarca independente Tiago Pedro.
De acordo com as explicações de um técnico municipal, o custo da estrada, na melhor das hipóteses, rondará entre 1,0 e 1,2 milhões de euros, podendo a sua construção demorar entre seis e oito meses. Sendo executada em duas fases, como prevê a proposta, com a abertura inicial de um caminho e a posterior construção da estrada definitiva, o processo poderá demorar o dobro do tempo, ultrapassando um ano, ou mais, caso o concurso público fique deserto. O presidente do município, João Nicolau, propôs levar a reunião de câmara, no prazo de 45 dias, o contrato a celebrar com a Santos e Vale, no qual ficará estabelecido que a empresa será responsável pela abertura da via. Até lá, a câmara comprometeu-se a instalar semáforos e a reforçar a sinalização.

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